Comurg denuncia advogado por ações trabalhistas com supostas assinaturas falsas
O profissional investigado é um advogado goiano responsável por protocolar 75 processos apenas em 2025.

Uma denúncia envolvendo suposta fraude processual levou a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) a acionar a Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO). A empresa pede a adoção de medidas diante de indícios de que ações trabalhistas teriam sido ajuizadas em nome de empregados sem que eles tivessem conhecimento ou autorizado a representação por advogado.
O profissional investigado é um advogado goiano responsável por protocolar 75 processos apenas em 2025, com pedidos que, somados, alcançam cerca de R$ 24 milhões. Em ao menos metade dos casos, segundo a direção da Comurg, os trabalhadores afirmaram não ter ingressado com ação judicial nem assinado procuração.
Investigações
Diante das suspeitas, a companhia solicitou perícia grafotécnica em cinco processos. O resultado preliminar apontou indícios de falsificação de assinaturas. A situação veio à tona durante uma revisão interna, após um suposto autor de ação ser multado em R$ 11 mil por ausência em audiência. Ao ser procurado, ele declarou desconhecer completamente o processo e registrou boletim de ocorrência contra o advogado. Além disso, verificou-se que o homem sequer é funcionário da Comurg, mas servidor da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra).
Com o caso, o setor jurídico da empresa fez um levantamento de todas as ações patrocinadas pelo mesmo advogado e passou a consultar os trabalhadores listados como autores. Apenas parte deles confirmou ter ingressado com os processos. Internamente, a Comurg avalia que uma falha antiga em seu sistema de gestão de pessoas pode ter permitido o acesso indevido a dados funcionais, o que teria facilitado o uso dessas informações para a propositura das ações. A companhia informou que essa vulnerabilidade já foi corrigida.
Suspeitas
A empresa também reconhece que algumas das ações assinadas pelo advogado investigado tiveram decisões favoráveis, embora ainda não haja levantamento sobre valores pagos. Um dos processos sob suspeita chegou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) por meio de recurso interposto pelo próprio profissional. Há indícios, ainda, de que ele tenha ajuizado ações contra a Comurg em anos anteriores, em número que está sendo apurado.
No pedido encaminhado à Corregedoria do TRT, a companhia solicita que o caso seja remetido ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para investigação criminal. Além disso, informou que apresentará representação no Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO).
Procurado, o advogado citado afirmou que só irá se manifestar após ter acesso formal às informações apresentadas pela Comurg.
As informações são do O Popular

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