Com calote da Saúde de Goiânia, criança morre sem atendimento home-care; mães denunciam prefeitura
Maria Ayla era um dos 29 pacientes de alta complexidade que dependiam de atendimento domiciliar, serviço suspenso devido à falta de pagamento da Prefeitura de Goiânia à empresa Transmédica

Maria Ayla, de apenas 1 ano de idade, morreu após sofrer uma parada cardíaca na madrugada deste sábado (26). Ela era um dos 29 pacientes de alta complexidade que dependiam de atendimento domiciliar, serviço de home care suspenso devido à falta de pagamento da Prefeitura de Goiânia à empresa Transmédica, responsável por prestar esses serviços.
A dívida da prefeitura com a Transmédica ultrapassa 3 milhões de reais, acumulada ao longo de cinco meses sem repasses. Sem o suporte técnico necessário, Maria Ayla, que tinha Síndrome de Moebius, doença rara que afeta os nervos cranianos, e era dependente de respirador, ficou sob os cuidados exclusivos dos pais. Eles tiveram que administrar medicamentos e realizar procedimentos complexos, como a limpeza da traqueostomia, que normalmente seriam feitos por profissionais de saúde.
A família da menina acredita que a morte de Maria Ayla poderia ter sido evitada se ela tivesse recebido o atendimento adequado de um profissional de saúde.
Com a falta de pagamento da prefeitura, a Transmédica suspendeu os serviços de fonoaudiologia, fisioterapia e assistência técnica de enfermagem.
Em declaração, a Transmédica afirmou que os "reiterados e insuportáveis atrasos" nos pagamentos por parte da prefeitura tornaram impossível a continuidade do atendimento domiciliar.
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Entenda o caso
Pelo menos 29 pacientes em Goiânia que dependem de serviços de saúde na modalidade home care estão sem atendimento domiciliar desde essa segunda-feira (21). A empresa Transmédica UTI Móvel e Assistência Médica LTDA notificou a Prefeitura de Goiânia na sexta-feira (18), sobre a suspensão dos atendimentos devido à falta de repasses financeiros por parte da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Wilkerleia Aline Souza, diretora geral da Transmédica, informou que a gestão municipal não efetua os pagamentos à prestadora desde junho deste ano, acumulando uma dívida que ultrapassa R$ 3 milhões ao longo de cinco meses.
"Os pacientes precisam do atendimento para sobreviver, são pacientes com ventilação mecânica, dependentes de oxigenoterapia. Para continuar com esses atendimentos, precisamos do repasse. Vamos paralisar de forma geral", declarou.
O G5News entrou em contato com a prefeitura de Goiânia, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. Espaço segue aberto.
Entre os 29 pacientes home-care de Goiânia, pelo menos 11 são crianças:
Paciente Sivacir; Mãe Misleyne
Paciente Ana Clara; Mãe Odirlene
Paciente Antônio; Mãe Sisenna
Paciente Elisa Gabrielly; Mãe Renata Gomes
Paciente João Guilherme; Mãe Jacqueline
Paciente Amanda vitória; Mãe karla
Paciente Lara Sofia; Mãe Ionaria
Paciente Lorena Gomes; Mãe Lorrayne Gomes
Paciente: Anelize Corrêa; Mãe Vitoria
Paciente Nicoly; Mãe Jeniffer
Paciente Davi Lucas; Mãe Letícia
*Imagens divulgadas pelo portal Goiás 24 Horas

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