Colégio Militar de Goiás cobra R$ 150 por renovação de matrícula e revolta pais
A controvérsia veio à tona após relatos de pais e responsáveis que participaram de uma reunião com a direção do colégio

Famílias de alunos do Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás Olga Aguiar Mohn (CEPMG-OAM), localizado em Cristalina, estão em polvorosa com a cobrança de uma taxa de R$ 150 para a renovação de matrícula de seus filhos. A denúncia aponta que o valor, supostamente destinado à Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) da instituição, levanta sérios questionamentos sobre a legalidade e a obrigatoriedade em uma escola pública mantida pelo Governo do Estado.
A controvérsia veio à tona após relatos de pais e responsáveis que participaram de uma reunião com a direção do colégio. Segundo uma das mães, que preferiu não se identificar, o montante de R$ 150 foi apresentado como condição para a renovação.
"Foi cobrada uma taxa de 150 reais para a renovação, alegando que 100 seria para a matrícula e 50 para uma camiseta. A taxa é altíssima, a escola é pública", expressou a genitora, manifestando sua indignação com o valor considerado exorbitante para uma instituição de ensino que deveria ser gratuita.
Além do valor, a forma como a cobrança estaria sendo implementada também gerou desconforto e questionamentos. A mesma mãe relatou que a renovação de matrícula seria feita primeiramente para os alunos cujos pais pagam o convênio da APMF, o que levanta dúvidas sobre a equidade do processo e a possível vinculação da matrícula a uma contribuição financeira.
"Além disso, disseram que a renovação seria feita primeiro para os alunos que pagam o convênio da APMF. Isso é certo?", questionou a mãe, evidenciando a preocupação com a diferenciação no tratamento dos estudantes.
Outra responsável também corroborou a surpresa e a falta de clareza nas informações. Ela afirmou que, durante a reunião, o assunto não foi abordado de forma explícita, deixando todos os presentes "espantados" com a notícia da cobrança.
"Na reunião ninguém falou nada, todo mundo ficou só espantado. Quando fui renovar, disseram que era só para os associados. Questionei o porquê, já que não foi especificado antes. Falaram que estava no panfleto, mas não tinha nada disso", disse, ressaltando a ausência de comunicação prévia e transparente sobre a obrigatoriedade ou a natureza da taxa.
Apesar de o Colégio Estadual da Polícia Militar Olga Aguiar Mohn operar sob um modelo de gestão compartilhada com a Polícia Militar, sua natureza de colégio estadual e seu custeio por recursos públicos são pontos cruciais que alimentam o debate sobre a legitimidade de tais cobranças. A legislação brasileira, em geral, proíbe a cobrança de taxas para matrícula e mensalidades em escolas públicas, mesmo que administradas em parceria. Contribuições para Associações de Pais e Mestres (APMs) são usualmente voluntárias e não podem condicionar o acesso ou a permanência do aluno na instituição.
Alguns pais, embora reconheçam a importância de contribuições para melhorias e gastos escolares, discordam veementemente do valor e da forma como a cobrança está sendo imposta.
"Sou até a favor de uma taxa, porque sei que há gastos e melhorias, mas não esse valor exorbitante", pontuou uma das mães, evidenciando a disposição em colaborar com a escola, mas não sob essas condições que consideram abusivas e obrigatórias. A principal preocupação reside na possibilidade de que a não adesão à APMF ou o não pagamento da taxa possa, de alguma forma, prejudicar a renovação da matrícula dos estudantes.
A comunidade escolar aguarda ansiosamente por uma resolução que garanta a gratuidade e a equidade no acesso à educação pública.

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