Colapso do lixão em Padre Bernardo é comparado ao Césio 137 por chefe do ICMBio
Desastre afeta solo, lençol freático e ameaça vegetação nativa da região

Quase um mês após o colapso de uma imensa pilha de lixo no lixão Ouro Verde, em Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal, os impactos sobre o meio ambiente ainda estão longe de serem calculados.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Fábio Miranda, chefe da Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Rio Descoberto, ligada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o caso pode ser comparado ao episódio do Césio 137, uma das maiores tragédias radioativas da história do Brasil.
“A gente fica até na dúvida, em questão dos danos ambientais, do que foi pior: o Césio 137 ou esse caso de Ouro Verde. Está contaminando muito o solo e, consequentemente, o lençol freático e as raízes da vegetação”, afirmou Fábio.
A montanha de resíduos, que cedeu sem qualquer contenção ou estrutura de segurança, espalhou toneladas de lixo, chorume e produtos tóxicos pelo solo da região. Segundo o especialista, a recuperação da área pode levar décadas.
“Tem contaminação ali que vai demorar dezenas de anos para ser revertida. No solo, por exemplo, tem diferentes poluentes, é até difícil dizer exatamente quais são”, explica.
Entre os componentes identificados até agora, está o mercúrio, substância altamente tóxica, que representa risco direto à saúde humana e à biodiversidade local.

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