Caiado participa de reunião nos EUA para debater "terras raras"
Encontro em Washington reúne 20 países, incluindo integrantes do G7, para discutir segurança das cadeias globais, cooperação internacional e estratégias para minerais críticos. Governador foi convidado pelo secretário de Estado, Marco Rubio

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) atravessou o continente nesta quarta-feira (04) para cumprir agenda oficial em Washington (DC), nos Estados Unidos. O destino não é aleatório: Caiado participa de uma reunião ministerial internacional sobre minerais críticos e elementos de terras raras, tema que ganhou peso geopolítico e econômico nos últimos anos.
O encontro reúne representantes de cerca de 20 países, entre eles membros do G7, além de delegações do Brasil, União Europeia, Austrália, Reino Unido e Canadá. A reunião acontece a convite do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e tem como foco a formação de uma aliança internacional para garantir a segurança das cadeias globais desses insumos considerados estratégicos.
Na mesa de debates estão propostas como a criação de garantias de preços mínimos para minerais críticos e terras raras, além de medidas para diversificar fornecedores e reduzir a dependência de poucos países na oferta global. O assunto interessa diretamente a setores como a transição energética, a indústria de alta tecnologia e a inovação, áreas que exigem grandes volumes desses minerais.
Goiás entra nesse cenário como protagonista. Hoje, a única mina de terras raras em operação no Brasil fica em Minaçu, no norte goiano, sob responsabilidade da Serra Verde Pesquisa e Mineração. A empresa já produz, em escala industrial, elementos considerados críticos, como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio — matérias-primas essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas avançados de armazenamento de energia.
Além de Minaçu, o governo estadual aposta na ampliação da cadeia produtiva do setor. Há projetos em diferentes fases de pesquisa e implantação, como os da Aclara Resources, em Nova Roma, e da canadense Appia, em Iporá. A ideia é ir além da extração e estruturar um ecossistema capaz de atrair investimentos, gerar empregos qualificados e agregar valor à produção mineral.
Os minerais críticos são vistos como peças-chave da economia do futuro, mas também como pontos de tensão no tabuleiro internacional. Isso porque envolvem risco de escassez e alta concentração de oferta, o que aumenta sua relevância estratégica e coloca o tema no centro das disputas globais.
Nesse contexto, Goiás aparece com números robustos. O estado concentra cerca de 25% das reservas conhecidas de terras raras no Brasil. O país, por sua vez, detém a terceira maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China e do Vietnã. Com diversidade geológica e elevado potencial produtivo, Goiás vem se consolidando como uma das principais fronteiras nacionais da mineração estratégica.
A presença de Caiado na reunião internacional também reflete o movimento do governo estadual para fortalecer sua estrutura institucional no setor. Em 2025, foi sancionada a lei que criou a Autoridade Estadual de Minerais Críticos (Amic) e o Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Minerais Críticos (FEDMC). Os dois instrumentos são voltados à formulação de políticas públicas para pesquisa, exploração, industrialização, logística e comercialização de minerais como terras raras, nióbio, níquel, cobre, titânio e fosfato.
Ao marcar presença em Washington, o governo de Goiás sinaliza que pretende jogar em um tabuleiro maior: ampliar relações internacionais, atrair investimentos e posicionar o estado como ator relevante em setores estratégicos da economia global, com discurso afinado à inovação, sustentabilidade e desenvolvimento de longo prazo.

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