Brasil passa a oferecer primeiro medicamento injetável de longa ação para prevenção do HIV
A medicação passou a ser disponibilizada nesta segunda-feira (25) em farmácias privadas, com distribuição pela Oncoprod.

A farmacêutica GSK lançou no Brasil o cabotegravir injetável, conhecido comercialmente como Apretude, o primeiro medicamento de longa duração capaz de prevenir o HIV. A medicação passou a ser disponibilizada nesta segunda-feira (25) em farmácias privadas, com distribuição pela Oncoprod. Ainda não há previsão de adoção pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Aprovado pela Anvisa em 2023, o cabotegravir atua de forma semelhante à profilaxia pré-exposição (PrEP) oral, impedindo a infecção pelo HIV em caso de contato com o vírus. A principal diferença é a forma de administração: enquanto a PrEP oral deve ser tomada diariamente, o Apretude é aplicado por injeção intramuscular a cada 60 dias, reduzindo o risco de esquecimentos e aumentando a adesão ao tratamento. No mercado privado, o preço de tabela é de R$ 4 mil por aplicação.
Segundo o infectologista Rodrigo Zilli, diretor médico da GSK, “o cabotegravir é um marco pioneiro no Brasil, com estudos de vida real que demonstram maior eficácia e adesão em relação à PrEP oral. Além do mercado privado, estamos focados em disponibilizar o medicamento no SUS”.
Como funciona a injeção
O Apretude pertence à classe dos inibidores da integrase, bloqueando a integração do DNA viral nas células humanas e impedindo a multiplicação do HIV. A aplicação é preventiva e só pode ser feita em pessoas com teste negativo para HIV realizado até sete dias antes da injeção. O uso é indicado para pessoas sexualmente ativas a partir dos 15 anos, com pelo menos 35 quilos, que se considerem em risco aumentado de exposição. A administração deve ser feita por um profissional de saúde e combinada com preservativos e outras formas de prevenção.
Evidências científicas
O estudo ImPrEP CAB Brasil, conduzido pela Fiocruz, avaliou 1.447 participantes em seis centros públicos. Nenhum dos usuários do cabotegravir foi infectado pelo HIV durante o acompanhamento, enquanto o grupo que utilizou a PrEP oral registrou dez casos de infecção. A adesão ao esquema injetável atingiu 95%, contra 58% na forma oral, e todos os participantes afirmaram desejar continuar com a injeção.
Perspectivas para o SUS
Atualmente, a PrEP oral é distribuída gratuitamente pelo SUS, com mais de 130 mil usuários. A adesão enfrenta barreiras como estigma, esquecimentos e dificuldade em manter a medicação diária. A inclusão do cabotegravir na rede pública depende da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que ainda não definiu prazo para deliberação.
Segundo a GSK, a adoção do cabotegravir poderia evitar 385 mil novos casos de HIV em dez anos, com impacto econômico de R$ 14 bilhões em custos evitados com tratamento.
Além do cabotegravir, outro antiviral injetável, o lenacapavir, da Gilead Sciences, promete proteção de até seis meses e apresentou eficácia de 100% na prevenção da infecção pelo HIV em mulheres participantes de estudos clínicos.

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