Bolsonaro diz que recebeu joias "caríssimas" por "amizade com o mundo árabe"; veja vídeo
Em retorno ao Brasil, ex-presidente afirmou que não é ele quem classifica objetivos que vão para o acervo pessoal ou público

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quinta-feira (30), que recebeu joias "caríssimas" como presente do governo da Aárabia Saudita pela "relação de amizade" que teve "com o mundo árabe". Três meses depois do fim de seu mandato, ele acrescentou que quem decide o que vai para o acervo pessoal ou público não é ele, e sim uma equipe da Presidência da República.
"Joias caras? Sim, caríssimas. Até pela relação de amizade que eu tive com o mundo árabe", disse, destacando que os árabes "têm dinheiro" e que o gesto de dar presentes é um "prazer deles". "Quem classifica se é acervo pessoal ou público não sou eu. Tem um pessoal lá na Presidência da República que é servidor de carreira e classifica. Na lei fala que eu possa até usar, não posso vender. Agora, como criou-se o problema, está à disposição", declarou em uma transmissão nas redes sociais do partido.
Bolsonaro também confirmou que está com um pacote à sua disposição. "Esse outro conjunto está à minha disposição. Não teve nada escondido. Se não tivesse sido cadastrado, o Estado de S. Paulo não faria a matéria. É muito simples", disse, indicando que a fala seria sobre o terceiro pacote divulgado.
Ele comentou sobre três pacotes de joias direcionados a ele ou para sua esposa, Michelle Bolsonaro, em 2021, quando ocupava a Presidência da República. Os itens, no entanto, não poderiam ser de cunho pessoal pelo valor e pela forma como foram dados. O primeiro, revelado pela Estado de S. Paulo, era composto por colar, par de brincos, anel e relógio, com diamantes e avaliado em R$ 16 milhões. Este pacote foi retido pela Receita Federal pela tentativa ilegal de entrada no Brasil.
Um segundo pacote entrou no Brasil, segundo a Folha de S. Paulo. Direcionado a Bolsonaro e sem valor estimado, o kit da marca Chopard tinha relógio, anel, abotoaduras, caneta e uma espécie de rosário. Este foi entregue pela Defesa de Bolsonaro à Caixa Econômica Federal após determinação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Um terceiro pacote, registrado pelo Estado de S. Paulo, tem valor estimado em R$ 500 mil e é composto por relógio de pulso da marca Rolex, caneta roller ball da marca Chopard, abotoaduras, anel e um rosário. Todas as peças foram feitas em ouro branco. Esses bens foram levados para uma fazenda de Nelson Piquet, ex-piloto de Fórmula 1 que é um apoiador de Bolsonaro.
Na mesma fala, Bolsonaro falou que ainda tem vários presentes recebidos enquanto era presidente e que não sabe o que fará com os objetos. Entre eles, cerca de três mil camisas de futebol, 50 relógios de R$ 10 a R$ 200 cada um e 50 facas.
Bolsonaro desembarcou em Brasília nesta quinta-feira (30) depois. Ele estava nos Estados Unidos desde 30 de dezembro de 2022. Ele viajou um dia antes do fim de seu mandato, e não passou a faixa presidencial na posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No período em solo americano, participou de eventos conservadores e falou sobre a intenção de retornar ao Brasil para liderar o movimento de oposição.
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