Bebê morre após parto em maternidade e pais suspeitam de “negligência”
Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aparecida informou que abriu um processo administrativo para averiguar todas as etapas de atendimento da paciente

Os pais Nilson Pereira Martins e Ildinei Soares Brito tiveram o filho morto logo após o parto, em 30 de dezembro, na Maternidade Marlene Teixeira, em Aparecida de Goiânia, e registraram boletim de ocorrência para que o fato seja investigado, já que acreditam que a causa da morte pode ter sido a demora do hospital em realizar o parto.
Nilson e Ildinei relatam na denúncia que procuraram a unidade de saúde três vezes, mas foram mandados de volta para casa. Só na quarta vez a equipe médica da unidade realizou a cesariana.
“Eu estou no escuro, é tristeza demais, porque até hoje não sei o que aconteceu”, diz o pai.
De acordo com a ocorrência, Ildinei estava fazendo acompanhamento médico na Unidade Básica de Saúde Andrade Reis, quando foi encaminhada com 39 semanas de gestação para fazer cesariana e laqueadura na Maternidade Marlene Teixeira, em 23 de dezembro de 2022.
“Me mandaram de volta para casa falando que tinha que esperar 41 ou 42 semanas de gestação. Eu falei para a médica que a minha primeira gravidez foi complicada, que o médico teve que tirar o neném com 40 semanas, só que eles não deram atenção”, lamentou Ildinei.
O parto foi realizado na quarta vez em que o casal procurou a maternidade, no dia 30 de dezembro. Segundo Nilson, o filho nasceu já com tom arroxeado e foi levado direto para a internação com oxigênio, pois teria engolido líquido amniótico.
Um documento de internação do hospital relata que o bebê teve paradas cardiorrespiratórias e que a equipe médica tentou reanimá-lo, mas não teve sucesso. Apesar disso, a certidão de óbito não indica causa de morte, o que significa que laudos complementares deverão ser realizados para que a razão seja descoberta.
Secretaria Municipal de Saúde
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de (SMS) Aparecida de Goiânia informou que abriu um processo administrativo para averiguar o que aconteceu com a paciente em todas as etapas de atendimento. O Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) foi até a unidade.
O comunicado da SMS reforça que em 29 de dezembro, um dia antes do parto, Ildinei passou por avaliação médica, mas não foram detectados fatores de risco. Além disso, foram feitos os procedimentos necessários e a equipe da maternidade deu todo o suporte à paciente e sua família após o nascimento do bebê.
“Estava tudo certo. Eu fiz minhas consultas todas direitinhas, ultrassom, tomei as vacinas [...] Eu não quero que isso aconteça com outras mães. Não consigo entrar no quarto dele, não consigo dormir”, desabafa a mãe.
Nilson relata que a esposa estava bem e toda a família aguardava pelo nascimento do bebê, Anthony Matheus. A mala da maternidade já estava pronta, assim como o quartinho dele na casa. Agora, todos enfrentam o luto de uma perda precoce.

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