Avó de menina estuprada e morta acredita que mãe, acusada pelo crime, tinha ‘raiva’ do pai da criança por ele ser gay
Os celulares e computadores apreendidos com mãe e padrasto de Sophia mostram que os dois tentaram combinar uma versão para a morte da menina

A avó de Sophia também disse que vem sofrendo ataques de pessoas que acompanham o caso. Isso porque um áudio divulgado por Jean Carlos comprova que ela estava ciente das agressões contra a menina e da residência insalubre em que convivia com mais duas crianças, mas negou as denúncias na delegacia em março do ano passado. Hoje, ela diz que foi manipulada pela filha que, na época, estava grávida e “muito estressada”.
— Ela conseguiu manipular as pessoas e eu principalmente, porque nunca imaginei que a Stephanie pudesse fazer isso. Ela tinha me proibido de ver a menina e ir na casa dela — relata.
Em janeiro do ano passado Delziene mandou mensagem para Jean Carlos falando que precisava conversar em particular e presencialmente sobre como Stephanie estava tratando Sophia. O encontro aconteceu no dia 27.
Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, morreu vítima de traumatismo na coluna cervical — Foto: Reprodução
No dia 31 de dezembro de 2021, o pai da menina já havia feito uma denúncia na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), após Sophia chegar na casa dele com hematomas pelo corpo. Um mês depois, Jean Carlos novamente percebeu os maus-tratos na filha e lavrou um novo boletim de ocorrência.
No dia 17 de março de 2022, Sthefanie e Delziene foram chamadas para prestar depoimento. Ambas negaram situação de maus-tratos. A avó chegou a dizer que a filha estava “estressada porque havia casado novamente e estava grávida”. Também negou que tivesse dito a Jean que a menina estava mal alimentada, e que usou a palavra “insalubre” porque com a gravidez, a filha estava deixando o serviço acumular.
O GLOBO procurou o Ministério Público do Mato Grosso do Sul para questionar se a avó da menina responderá processo por omitir os maus-tratos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Mãe e padrasto seguem presos
Stephanie de Jesus da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto de Sophia, seguem presos.
De acordo com a denúncia da Promotoria de Justiça , Stephanie foi denunciada por homicídio doloso por omissão, por motivo fútil, meio cruel, contra menor de 14 anos. Christian, o padrasto, foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, por motivo motivo fútil, meio cruel e contra menor de 14 anos e por estupro de vulnerável.
O laudo de necrópsia do corpo da menina Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, apontou que a causa da morte foi por traumatismo na coluna cervical e confirmou o estupro.
Em entrevista ao GLOBO na semana passada, o padrasto da vítima, Igor de Andrade, casado com o pai da criança, relatou que em uma das vistorias realizadas no corpo de Sophia após as suspeitas de maus-tratos foi observada uma fissura na região do ânus. Ao questionar a mãe sobre o ferimento, ela teria dito que a filha estava apenas “ressecada”.
Acusados combinaram versão da morte
Os celulares e computadores apreendidos com mãe e padrasto de Sophia mostram que os dois tentaram combinar uma versão para a morte da menina, de acordo com a delegada Anne Karine, que é titular da DEPCA. Em uma das conversas, Christian pedia para Stephanie dizer que a menina tinha caído no parquinho e posteriormente sugeria que ela contasse a verdade, mas assim que ela contasse ele tiraria a própria vida.
Segundo a Delegada, no dia da morte da Sophia, a Polícia Civil foi acionada pela equipe médica que a atendeu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), quando os policiais chegaram ao local, conversaram com os profissionais da unidade de saúde, que disseram que desconfiar de que a menina estivesse morta há pelo menos 4 horas, relatando ainda que a mãe demonstrou certa frieza e só se desesperou quando foi avisada de que a polícia tinha sido acionada.
Ainda são aguardados os laudos periciais da casa onde o crime teria acontecido, dos materiais apreendidos e do DNA coletado na vítima. “Esses documentos serão de suma importância para explicar toda a dinâmica dos fatos, já que nem a mãe e nem o padrasto contaram como se deu a morte de Sophia, que, segundo o laudo necroscópico, teria morrido entre às 9 e 10 horas do dia 26 de janeiro, tendo dado entrada na UPA por volta das 17 horas”, disse Anne Karine.

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