Após suspender partos na Célia Câmara, Fundach anuncia mudanças na Dona Iris e Nascer Cidadão
A ausência de anestesiologistas inviabilizou os partos na Célia Câmara, que fazia em média 20 procedimentos diários.

Após o drama das maternidades municipais de Goiânia se agravar nesta semana com a suspensão de partos no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) informou que, a partir de segunda-feira (7), parte dos serviços das maternidades Dona Iris e Nascer Cidadão também serão suspensos devido à "interrupção no fornecimento de insumos e serviços essenciais, situação provocada pela inadimplência nos pagamentos de contratos com fornecedores e prestadores de serviços”. O serviço de anestesiologia parou na última quarta-feira (2) por dívidas acumuladas.
A Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Estado de Goiás (Coopanest-GO) justificou a paralisação pela falta de contrato vigente desde o fim de 2024 e dívidas de vários meses. Mesmo assim, diz ter mantido o atendimento até a situação se tornar “insustentável”. Segundo nota da cooperativa, “após inúmeras tratativas infrutíferas entre as instituições, a Fundahc foi formalmente notificada da decisão no dia 25 de junho”.
A ausência de anestesiologistas inviabilizou os partos na Célia Câmara, que fazia em média 20 procedimentos diários. A Fundahc admitiu que “mesmo os partos naturais podem demandar intervenção cirúrgica, o que exige suporte anestésico imediato” e que “por essa razão, os atendimentos obstétricos estão sendo redirecionados”.
Ao jornal O Popular, a superintendente de Regulação da SMS, Paula dos Santos Pereira, afirmou que as “Internações de mulheres, gestantes ou não, que não precisam de procedimentos que envolvam anestésicos, por exemplo”, estão sendo mantidas na Célia Câmara, enquanto gestantes em trabalho de parto são enviadas para as outras maternidades — que já operam com sobrecarga.
Mais crise
Com o corte de serviços na Dona Iris e na Nascer, cresce a tensão entre profissionais de saúde. A Fundahc explicou que o atendimento de porta será restrito a urgências e emergências, não haverá novos encaminhamentos da Central de Regulação e consultas e cirurgias eletivas estão suspensas. A SMS informou que revisará os fluxos para garantir assistência.
O problema expõe a crise financeira da Fundahc, que não paga a Coopanest-GO na Nascer Cidadão desde setembro de 2024. Em nota, a fundação disse ter proposto negociação aos fornecedores e destacou que “não houve repasse financeiro da Prefeitura de Goiânia à Fundahc no mês de julho, impossibilitando, também, o pagamento da folha salarial das maternidades”.
A SMS rebate que já repassou cerca de R$ 100 milhões em 2025, mas o pagamento de julho depende de recursos federais ainda não liberados. Em meio à crise, o contrato da Prefeitura com a Fundahc, que deveria cair de R$ 20,5 milhões para R$ 12,3 milhões mensais, segue sem novos planos de trabalho aprovados, o que impede a assinatura de um novo acordo emergencial.
Com informações do O Popular.

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