Após "batida" da polícia, Hospital Renaissance é interditado pela terceira vez em um mês
Interdições e a ação policial foram motivadas pela persistente falta de conformidade do hospital com requisitos sanitários básicos, especialmente gestão do lixo hospitalar

O Hospital Renaissance, uma unidade de saúde particular localizada na Rua 9, no Setor Marista, em Goiânia, foi interditado pela terceira vez, nessa quinta-feira (15), em menos de um mês. A situação escalou a ponto de um dos administradores ser preso pela Polícia Civil, após o hospital insistir em operar mesmo sob ordens de interdição da Vigilância Sanitária.
A série de interdições e a ação policial foram motivadas pela persistente falta de conformidade do hospital com requisitos sanitários básicos, especialmente no que tange à gestão do lixo hospitalar e à estrutura de atendimento.
A Vigilância Sanitária precisou acionar as forças policiais para garantir que a administração do Renaissance cumprisse as determinações de interdição. Segundo a Vigilância, o hospital foi inicialmente interditado de forma parcial no final de abril deste ano. Naquela ocasião, foram proibidos de funcionar o pronto-socorro, o centro cirúrgico e a UTI.
A medida visava, principalmente, reduzir a geração de lixo hospitalar, já que a unidade não seguia um plano adequado para destinação e armazenamento desses resíduos.
Além dos problemas com o lixo, a Vigilância Sanitária apontou falhas graves na estrutura do pronto-socorro. A unidade não possuía área separada para atender pacientes de urgência e emergência, misturando-os com atendimentos de consultório comum.
"Se eu tenho uma urgência-emergência, eu tenho que ter uma sala em separado para receber esse paciente, porque numa urgência-emergência, eu não sei o que tem esse paciente, para misturar às vezes com o atendimento de um consultório comum. Então é exigido por lei a separação", explicou um representante da Vigilância Sanitária.
Inicialmente, a Vigilância descobriu que o lixo hospitalar estava sendo armazenado em dois pontos nos fundos da unidade. No entanto, a situação se agravou. Os resíduos passaram a ser guardados dentro do próprio hospital.
"Esses resíduos, eles estavam sendo armazenados dentro do hospital e nem se detectou bem aonde estava sendo armazenado, então é irregularidade. Ali são tecidos infectados, é sangue, enfim, fluídos orgânicos, então ali e fica tudo ali. Então tem que ter área específica, coleta específica, periódica, tem toda uma norma a ser cumprida, que nesse caso não estava sendo", detalhou a Vigilância.
A interdição parcial permitia apenas a realização de exames de imagem e consultas médicas agendadas. Contudo, no início deste mês, a Vigilância Sanitária constatou que o hospital havia reaberto o pronto-socorro por conta própria, sem qualquer autorização municipal. Diante da reincidência, a Vigilância determinou a interdição total do hospital, que deveria estar completamente fechado.
Apesar da interdição total, a Vigilância Sanitária foi informada nesta semana que o hospital reativou novamente o pronto-socorro, a UTI e o centro cirúrgico. Foi neste ponto que a Polícia Civil foi acionada.
"A vigilância sanitária foi três vezes no local, interditou parcialmente, interditou totalmente e foi novamente no local, mesmo que a interdição total estava em pleno funcionamento. Então, a Polícia Civil foi no local tendo em vista que há o indício do crime previsto lá no artigo 2008 do Código Penal, que é infração de medida sanitária preventiva", afirmou um representante da polícia.
Wesley Costa Martins, um dos administradores da unidade, foi autuado e preso em flagrante por infração de medida sanitária preventiva. Além dele, outras irregularidades foram constatadas no momento da ação policial. A principal preocupação das autoridades é a saúde dos pacientes, muitos dos quais foram levados para o hospital por meio de convênios, sem terem conhecimento das interdições e das condições insalubres.
Mesmo após a interdição, a movimentação na porta do hospital continuou, com pessoas buscando atendimento e parentes de pacientes internados na UTI e em apartamentos que agora precisam ser transferidos.
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Para que o Hospital Renaissance possa voltar a funcionar legalmente, ele precisará passar por uma reforma física e implementar um plano rigoroso para o manuseio e destinação do lixo hospitalar.
"A partir da interdição agora eles têm que apresentar um projeto arquitetônico, memorial descritivo, estabelecendo as correções que são necessárias, estabelecendo a área do resíduo conforme as exigências da resolução. Esse projeto vai ser analisado estando aprovada que eles têm que executar o projeto e aí a gente faz a inspeção para a liberação desse alvará", explicou a Vigilância Sanitária.
A reportagem tentou contato com a administração do Hospital Renaissance para obter informações sobre a interdição e a transferência dos pacientes internados, mas não obteve retorno. Wesley Costa Martins, após ser interrogado, foi liberado mediante o compromisso de comparecer em audiência e prestar esclarecimentos à justiça. A defesa de Wesley Martins também foi procurada, mas não se manifestou até o momento.

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