Anestesistas comunicam "paralisação" e Nascer Cidadão interrompe atendimentos
Este movimento ocorre num contexto de impasse, após a Coopanest-GO, responsável pelo serviço de anestesia, informar a interrupção total de suas atividades, a partir desta quinta-feira (21)

A Maternidade Nascer Cidadão, em Goiânia, comunicou à Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), nesta quarta-feira (20) a suspensão de todos os atendimentos médicos. A crise foi oficialmente comunicada nesta quarta-feira (20), quando a direção citou o Código de Ética Médica e a segurança das gestantes como principais motivos. A decisão foi formalizada em um ofício pelo diretor técnico Harley Ricardo Rodrigues.
Este movimento ocorre num contexto de impasse, após a Coopanest-GO, responsável pelo serviço de anestesia, informar a interrupção total de suas atividades, a partir desta quinta-feira (21), devido à falta de repasses.
O comunicado da Nascer Cidadão foi endereçado à Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), além de autoridades como o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), o Ministério Público, e equipes de emergência como o Samu, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros.
Mesmo com a interrupção declarada, a Fundahc assegurou que a unidade continuará a operar para atender casos de urgência e emergência. Para mitigar os efeitos da interrupção, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) implementou uma intervenção emergencial, enviando uma equipe ao local para reorganizar os serviços, ainda que de maneira limitada.
A decisão faz parte de uma mudança maior proposta pela Prefeitura, que pretende encerrar os convênios de gestão com a Fundahc até o final de agosto, transferindo a administração das unidades para organizações sociais contratadas emergencialmente.
A transição teve início com uma notificação da SMS à Fundahc, após um relatório técnico apontar falhas administrativas e má gestão financeira. O relatório destacou problemas como o descumprimento de metas e o uso irregular do fundo rescisório entre 2020 e 2024, justificando a necessidade de reformulação para evitar um colapso total do sistema.
No centro do conflito está uma dívida reivindicada pela Fundahc, que alega um débito de R$ 158,5 milhões acumulado desde 2018, especialmente sob a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. O atual prefeito, Sandro Mabel, declarou discordância quanto ao montante, afirmando que só reconhece as pendências da sua própria administração e que os repasses mensais foram reduzidos de R$ 20 milhões para R$ 12 milhões, pagos pontualmente.
“Acabou o tempo das vacas gordas. Não posso gastar R$ 8 milhões a mais por mês sem ver melhoria nos serviços,” asseverou Mabel, contestando ainda a capacidade da UFG de gerir as maternidades.
A administração municipal já designou R$ 38 milhões para contratos emergenciais de curta duração com três organizações sociais. Essas medidas envolvem o Instituto Patris para o Hospital Dona Iris, a Sociedade Beneficente São José para o Célia Câmara, e a Associação Hospital Beneficente do Brasil para a Nascer Cidadão. O custo mensal estimado com as unidades será de R$ 12,6 milhões.

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