Alunos são humilhados em escola cívico-militar por causa de uniforme; veja vídeo
Alunos de 14 a 17 anos foram obrigados a fazer flexões e ficar de joelhos em escola do DF; punição teria sido aplicada por uso de agasalho fora do padrão do uniforme

Policiais que atuam na CED 1 do Itapoã, na região administrativa do Distrito Federal, submeteram alunos de 14 a 17 anos a flexões de braço e à humilhação de ficarem ajoelhados como forma de punição. O episódio aconteceu na última quarta-feira (25), foi gravado e ganhou as redes — e, com elas, o debate.
Segundo denúncia do Sindicato dos Professores do DF, a ordem teria partido por um motivo prosaico e revelador: estudantes usavam agasalhos fora da cor do uniforme. Não por rebeldia, mas por falta do próprio material, que, de acordo com o sindicato, ainda não havia sido entregue pela Secretaria de Educação.
“É humilhante, constrangedor, desproporcional e não tem nenhum caráter pedagógico”, afirmou o diretor do sindicato, Samuel Fernandes. Para ele, a escola deveria acolher, não punir a condição social. “Disciplina precisa ter limites e respeitar a dignidade dos estudantes”, reforçou, cobrando apuração urgente e responsabilização.
Do lado oficial, o governo do DF tentou baixar a temperatura. Em nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal classificou o episódio como “equívoco” na condução do caso e garantiu que nenhum aluno será prejudicado por “ausência ou inadequação de vestimenta”. Disse ainda que vai apurar os fatos e adotar medidas administrativas, se for o caso.
A Polícia Militar do Distrito Federal também se manifestou: afastou e substituiu os policiais que atuavam na escola e afirmou não compactuar com práticas constrangedoras ou inadequadas ao ambiente escolar. A corporação prometeu investigação e providências previstas em regulamento.
Entre notas, afastamentos e promessas de apuração, fica a pergunta que não sai do pátio: quando a disciplina deixa de educar e passa a constranger? Em um país marcado por desigualdades, exigir uniforme sem garantir o uniforme não é rigor — é erro. E erro, quando recai sobre adolescentes, cobra caro.

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