Alunos de medicina "reprovados" são acusados de ameaçar colegas e professores; MP entra no caso
Após suspeita de fraude e anulação de provas, 31 estudantes são reprovados e colegas passam a relatar intimidação, assédio e até ligações ofensivas

Um parecer do Ministério Público de Goiás acendeu o alerta no curso de medicina do Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan), em Aparecida de Goiânia. Assinado em 25 de abril, o documento pede medidas cautelares contra 12 estudantes acusados de intimidar colegas e professores após a anulação de provas por suspeita de fraude — episódio que terminou com a reprovação de 31 alunos e um rastro de tensão dentro da instituição.
A crise começou ainda em dezembro de 2025, quando surgiram indícios de irregularidades em avaliações do curso. Diante das suspeitas, as provas foram anuladas e reaplicadas. O novo resultado reprovou 31 estudantes, o que desencadeou uma reação considerada hostil por parte de um grupo de 12 alunos.
Segundo relatos encaminhados ao Ministério Público por estudantes e professores, a reprovação deu origem a uma campanha de intimidação, com ameaças de processos sem base jurídica, denúncias em delegacia e até pressões que poderiam levar à demissão de docentes. Um dos episódios citados envolve ligações ofensivas feitas pelo pai de uma aluna.
Os 12 estudantes foram ouvidos pela polícia e negaram qualquer perseguição. De acordo com o promotor Carlos Vinícius Alves Ribeiro, eles afirmaram apenas que houve reprovação após a reaplicação das provas e que alguns recorreram à Justiça para revisão de notas.
Apesar das negativas, o promotor destacou que os relatos das supostas vítimas foram confirmados por quatro testemunhas aprovadas nas avaliações. Ele também apontou que, mesmo após comunicações formais, não houve providências suficientes por parte da instituição para conter os conflitos.
Para o Ministério Público, as condutas investigadas podem configurar crimes contra a honra e a liberdade individual. Por isso, o parecer pede que os 12 alunos sejam proibidos de manter contato com colegas e professores envolvidos, por qualquer meio, incluindo redes sociais, mensagens ou terceiros. Também foi solicitado o afastamento do convívio acadêmico entre as partes.
Outra medida requerida é a criação de um sistema interno que garanta a separação entre denunciantes e acusados dentro da universidade. O processo tramita sob sigilo, e os estudantes foram alertados de que o descumprimento das medidas pode levar à prisão preventiva.
Em nota, a Unifan afirmou que a instituição atuou como intermediadora do conflito e não como parte envolvida. Disse ainda que adotou medidas para garantir a segurança de todos, como abertura de sindicância interna, afastamento de docentes do contato direto com os alunos envolvidos e separação dos estudantes em ambientes de estágio e internato.
A faculdade reconheceu que houve insatisfação após a reavaliação aplicada em 2025, o que gerou acusações mútuas, mas reforçou que tomou providências administrativas para conter a situação.
As identidades dos envolvidos não foram divulgadas, em razão do sigilo do caso e da necessidade de preservar a segurança dos estudantes e professores.

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