Morre Ryuichi Sakamoto, compositor da trilha sonora do filme "O último imperador"
Vencedor de um Oscar, dois Grammys e dois Globos de Ouro, o músico recebeu diagnósticos de câncer na garganta em 2014 e no cólon em 2021

O compositor e pianista japonês Ryuichi Sakamoto, autor da trilha sonora do filme 'O último imperador', de Bernardo Bertolucci, morreu na última terça-feira aos 71 anos, segundo publicação nas suas redes sociais. O músico tinha câncer em estágio avançado e já não conseguia tocar piano por um longo período.
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Em dezembro de 2022, Sakamoto afirmou em suas redes sociais que não tinha mais energia para tocar ao vivo. Decidiu, então, gravar peças musicais — tema a tema — durante uma semana e transmitir esse material em forma de live. Posteriormente, a filmagem seria editada e lançado nos cinemas.
— Esta talvez seja a última vez que vocês me veem tocar desta maneira — escreveu. O concerto foi gravado no estúdio 509, na rede NHK, em Tóquio, espaço célebre da música japonesa.
Uma outra publicação em suas redes, no entanto, anunciou em fevereiro deste ano o lançamento de um novo trabalho que estrearia no próximo verão do hemisfério norte, com turnê pelos EUA, Reino Unido e Austrália.
Em 2014, Sakamoto tratou um câncer na garganta. Em 2021 anunciou que recebera um ano antes o diagnóstico de um câncer retal. Em junho deste ano, em um artigo, afirmou que apesar de várias cirurgias, o câncer tinha se espalhado e estava em estágio muito avançado.
Sakamoto, que descreveu o músico clássico Claude Debussy como seu herói, estudou etnomusicologia na Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio.
Compôs as trilhas sonoras de "Feliz Natal, Sr. Lawrence", de Nagisa Oshima, "O pequeno Buda", de Martin Scorsese, e "De salto alto", de Pedro Almodóvar. Ganhou um Oscar pela trilha de "O último imperador", de Bernardo Bertolucci.
Além do Oscar, está no rol de vencedores do Grammy, Globo de Ouro e Bafta, por seu trabalho solo e em grupo. Também era conhecido por seu trabalho com a pioneira banda de música eletrônica Yellow Magic Orchestra (YMO), da qual foi um dos fundadores.
Ao lado de seus colegas Haruomi Hosono e Yukihiro Takahashi, formou o YMO em 1978. O uso inovador de uma vasta gama de instrumentos eletrônicos trouxe sucesso doméstico e global para a banda.
A primeira trilha sonora feita por Sakamoto foi para o filme "Furyo - Em Nome da Honra", de 1983, no qual ele também interpretou o comandante de um campo de prisioneiros de guerra, ao lado de David Bowie. A trilha venceu o Bafta, prêmio da Academia Britânica de Cinema.
O artista tinha grande admiração pelo Brasil, em especial Tom Jobim. Filha caçula de Tom, Maria Luiza Jobim lamentou a morte de Sakamoto pelo Instagram.
O artista veio ao país em 1995, quando fez um show com Caetano Veloso de homenagem ao fundador da bossa nova, repetindo a dose depois com Gilberto Gil.
Sakamoto ainda lançou em 2001 o disco "Casa", feito com o casal de músicos Jaques e Paula Morelenbaum, gravado no antigo lar de Jobim e que celebrava a bossa nova. O álbum acabou na lista de melhores do ano do New York Times, com imensos elogios da crítica.
Com AGÊNCIA O GLOBO

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