Modelo de jornada de trabalho ganha força no Congresso
Proposta que modifica jornadas de trabalho avança na Câmara e pode impactar milhões de trabalhadores.
A Câmara dos Deputados aprovou a PEC que altera a jornada de trabalho para 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, com dois de descanso. O texto recebeu 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno, enquanto no segundo turno os votos foram 461 a 19. Agora, a proposta segue para apreciação no Senado.
Este modelo, que substitui a jornada 6×1, já faz parte da realidade de empresas como o Coffee Lab, de Isabela Raposeiras. A barista e empresária implementou uma escala 4×3 para seus 32 funcionários, observando impactos positivos como redução do absenteísmo e 35% de aumento no faturamento. Ela argumenta que a pausa mais longa gera benefícios reais na produtividade.
A mudança na legislação foi impulsionada por iniciativas como o movimento Vida Além do Trabalho, fundado por Rick Azevedo, ex-balconista e atual vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL. Azevedo denunciou a rotina desgastante dos trabalhadores que convivem com a jornada 6×1, ajudando a criar um cenário favorável para a revisão das normas.
Dados do Ministério do Trabalho, coletados pelo Dieese, indicam que aproximadamente 33,2% dos vínculos formais estão sob o regime de 44 horas semanais. Isso representa quase 15 milhões de trabalhadores que podem ser afetados pela nova proposta, especialmente nos setores de hospitalidade e alimentação, onde 87% têm jornadas superiores a 40 horas.
Conforme Isabela Raposeiras, é viável adotar uma escala 5×2 em diversas empresas sem necessidade de contratações adicionais. A empresária defende que a reestruturação de processos é essencial para que as pequenas empresas também consigam se adaptar a essa nova realidade.
A proposta de jornada de trabalho mais equilibrada pode significar um avanço significativo para a qualidade de vida dos trabalhadores. O desfecho no Senado pode determinar se milhões de brasileiros terão uma nova abordagem em sua vida profissional.

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