"Me casei com o irmão da amante do meu ex marido"
A dona de casa, Maria Aparecida Martins, de 41 anos, foi traída pelo marido e, após um término conturbado e cheio de conflitos, ela conheceu Gessilei pelas redes sociais e foi consolada por ele.

“Venho de uma família simples, do interior de Minas Gerais. Sou a filha mais velha de três irmãs. Meus pais eram muito rigorosos, não tínhamos liberdade para sair sozinhos, me sentia muito presa em casa. No início de 1998, conheci um rapaz e comecei a namorá-lo escondido. Passaram-se dois meses assim, até que decidi contar para o meu pai. Lhe disse que o rapaz queria ir lá em casa para pedi-lo para namorar comigo. Nossa, foi a maior confusão! Meu pai não queria deixar de jeito nenhum, ameaçou me tirar da escola e muito mais. Até que, depois de muita insistência, ele cedeu e deixou. Foi uma festa! Achei que, finalmente, ia poder sair sozinha com meu namorado. Doce ilusão! Só podíamos namorar até 21h30 e aos sábados e domingos. Minha mãe ficava nos vigiando. Então conversando com meu, então, namorado, nossa única alternativa foi casar. Por isso, com apenas 10 meses juntos, me casei com ele aos 16 anos de idade.
O que eu pensava que seria a minha libertação, passou a ser minha maior angústia. E, assim, começou a minha história. Fui morar na casa do meu sogro com três meses de casada. Com menos um ano, logo quis me separar, estava sofrendo. Mas minha mãe não permitiu e me fez voltar, ela dizia que já que me casei, agora tinha que aguentar.
No final de 1999, meu marido resolveu ir embora para morar em Portugal e eu fiquei. Seis meses depois, também fui, achando que iria viver em paz. Mais um engano! Meu marido não tinha responsabilidade com as contas da casa, tínhamos que ficar o tempo todo nos mudando por falta de pagamento do aluguel. Era um verdadeiro martírio!
Morei quatro anos em Portugal. Brigávamos horrores, até que ele me agrediu fisicamente e saiu de casa. Só apareceu uma semana depois já com a passagem comprada para voltar ao Brasil. Confesso que eu não contava nada do que acontecia comigo para os meus pais, nem para a minha família por pura vergonha. Porque, até então, para todos, meu marido era um cara super legal e todos gostavam dele, ninguém iria acreditar em mim. E foi dito e feito! Ele ligou para a minha mãe e lhe disse que estava indo embora de Portugal. Ela fez de tudo para eu voltar junto e não ficasse lá sozinha. E, mais uma vez, ouvi minha mãe e fui para o Brasil no ano de 2002.
Chegando, alugamos uma casa e compramos todos os móveis novos. Ele era mecânico e logo abriu uma oficina com o dinheiro que ganhou trabalhando na Europa. Não demorou muito para recomeçarem as brigas constantes. Ele me deixava sozinha em casa direto e ia para os botecos beber, saía com os amigos e nem se importava comigo. Até que cansei e lhe disse que não queria mais continuar casada. Fui para a casa da minha avó procurar um abrigo e acolhimento naquele momento e, quando retornei para buscar minhas coisas, estava tudo quebrado e minhas roupas queimadas. Ele começou a me xingar de todos os nomes horríveis possíveis, alegou que eu tinha outro homem, que estava o traindo. Inventou muitas inverdades e me acusou de várias coisas horríveis! Voltei para a casa da minha mãe só com a roupa do corpo e chorando muito e ele ficou na casa.
Lá era impossível conviver com meu pai, tudo que eu fazia ele me jogava na cara. Não aguentei e saí da cidade deles para Tarumirim, onde nasci, e fiquei com a minha avó. Lá eu estava no ‘céu’ e não sabia. Comecei a trabalhar como doméstica, voltei a estudar à noite, porque quando me casei, parei de estudar no segundo ano do segundo grau.
No início de 2003, meu marido me procurou jurando estar arrependido e como eu era boba, ingênua e ainda gostava dele, acabei reatando. Nós ficamos juntos nem três meses e ele resolveu ir embora para os Estados Unidos via México, já que não tinha visto americano. Sabendo de todo meu sofrimento, em maio de 2003, meu marido falou que ia me levar para os Estados Unidos e me fez comprar roupas de frio, mala de viagem e me disse que uma mulher ia entrar em contato comigo para combinar tudo. Ele só voltou a me telefonar três meses depois, em agosto. E eu já tinha decidido que não iria mais para os EUA, para mim já era. Comecei, então, a trabalhar em uma padaria na minha cidade de segunda a segunda, sem tempo para nada. Aos 22 anos, vi que poderia começar tudo de novo. Voltei para os meus pais, que não me deixavam sair à noite. Vivia numa prisão. Era só de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Não tinha vida social e nem me permitiam ter!
Em dezembro de 2004, meu marido apareceu de novo. Juro que não queria nem vê-lo pintado de ouro. Mas, como o povo lá de casa gostava dele, eles ainda se falavam via internet, aí minha mãe começou a fazer a minha cabeça dizendo que estava mudado, que ainda gostava de mim, me falava que poderia um dia me arrepender, daí decidi conversar com ele por telefone e disse que só reataria o nosso casamento se ele viesse para o Brasil. E, para minha surpresa, em fevereiro de 2005, ele voltou e reatamos a nossa história. Nessa altura, já tínhamos quase seis anos de casados e eu não engravidava de jeito nenhum, embora já tivesse tentado algumas vezes. Só de pensar que eu poderia não ser mãe um dia minha alma sangrava! Após sua volta, depois de muitas conversas, meu marido me convenceu a adotar uma criança.
No dia 25 de julho de 2005, três dias depois do meu aniversário, bateu na minha porta um amigo do Conselho Tutelar com um bebêzinho de pouco mais de dois meses de vida, falando que não tinha lugar pra ele ficar, que o bebê estava sofrenado maus tratos. Quando o segurei em meus braços, o menino olhou para mim e sorriu. Foi ali, naquele momento, que eu pari meu primeiro filho! Chorei de emoção! Conheci um amor que, até então, eu duvidava que existia! João Vitor veio para ficar uns dias na minha casa e nunca mais foi embora! Hoje ele já está com 18 anos. Meu amor por aquele bebê foi tanto, que logo dei entrada no pedido de adoção. Eu já não estava mais sozinha, era mãe! Todos na minha família o receberam com muito amor.

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