Mãe de Marília diz que juiz dividiu indenização de forma desigual; advogado dela culpa seguradora
Família da cantora ficou com metade dos US$ 2 milhões pagos às vítimas do acidente

Dona Ruth, mãe da cantora Marília Mendonça, falou pela primeira vez sobre a polêmica sobre a divisão da indenização de US$ 2 milhões paga às famílias das vítimas do acidente aéreo que matou a artista e outras cinco pessoas, em 2021, em Minas Gerais.
O valor, equivalente a R$ 11 milhões na cotação atual, foi destinado aos herdeiros das cinco pessoas que morreram na tragédia: Marília, o piloto Geraldo Medeiros, o copiloto Tarciso Viana, o tio e assessor da cantora, Abiceli Dias, e o produtor Henrique Bahia.
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A polêmica surgiu após as famílias das outras vítimas questionarem a forma como o valor foi repartido. A família de Marília ficou com quase metade da indenização — cerca de US$ 1 milhão, ou seja, R$ 5 milhões. As demais famílias dividiram o restante.
Nas redes sociais, Vitória Medeiros, filha do piloto, criticou abertamente a disparidade. Em uma publicação, ela afirmou: “Todas as vítimas, todas as vidas valem igual num seguro por morte”.
O desabafo ganhou repercussão e aumentou a pressão em torno da família da cantora.
Dona Ruth se defendeu. Disse que, além de Marília, também perdeu o irmão no acidente — Abiceli, que era assessor da artista. Ela disse que a decisão dos valores partiu da Justiça.
Já o advogado dela afirmou que a proposta de divisão não partiu da defesa de Dona Ruth, e que a minuta com os percentuais já havia sido apresentada pela empresa de táxi aéreo. Ainda segundo ele, o valor que seria inicialmente repassado ao filho de Marília foi reduzido para beneficiar a filha do piloto.
Especialistas em Direito de Família e Sucessões explicam que a indenização por morte pode, sim, variar, não pelo valor da vida, mas pelas condições de renda, idade e expectativa de vida das vítimas. Mesmo assim, a repercussão negativa segue crescendo.
Nos bastidores, o mal-estar é evidente. E, em meio à tragédia, a disputa por cifras reacende um debate antigo: quando o luto se mistura com dinheiro, o que sobra de respeito?

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