Zema procura Caiado em SP e aumenta pressão por aliança na corrida ao Planalto
Pré-candidatos à Presidência se reuniram em São Paulo, trocaram sinais de aproximação e alimentaram rumores de chapa conjunta. Nos bastidores, aliados do PSD dizem que “Caiado não recua um milímetro”

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, recebeu nesta terça-feira (26), em seu escritório político em São Paulo, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. O encontro, segundo aliados, partiu de uma iniciativa do próprio mineiro e teve como foco o cenário eleitoral da disputa presidencial deste ano.
A reunião reforçou especulações que já circulam nos bastidores políticos sobre uma possível composição entre Caiado e Zema ainda no primeiro turno. O movimento ganhou força depois de declarações recentes do ex-governador mineiro durante um evento com investidores realizado em São Paulo no início da semana.
Na ocasião, Zema afirmou que mantém boa relação com Caiado e admitiu conversas sobre uma eventual aliança antes mesmo do segundo turno da eleição presidencial.
“O desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas”, declarou o ex-governador mineiro.
Apesar da sinalização de diálogo, Zema afirmou que pretende seguir com sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Ao ser questionado sobre a possibilidade de ocupar a vaga de vice em uma chapa encabeçada por Caiado, respondeu em tom de provocação: “Não pode ser o contrário?”.
Do lado goiano, Caiado também tem reforçado publicamente que não pretende abrir mão do projeto presidencial. O ex-governador deixou o União Brasil, comandado por Antônio Rueda, e migrou para o PSD, liderado por Gilberto Kassab, em busca de uma estrutura partidária que garantisse sua pré-candidatura, já que o antigo partido teria optado por não lançar candidato próprio ao Planalto.
Em entrevista concedida ao Blog do Magno também nesta terça-feira, Caiado afirmou que ouviu de Zema a intenção de manter sua candidatura e defendeu cautela sobre qualquer definição antecipada.
“Eu tenho que respeitar um colega ex-governador que também fez uma boa gestão no seu estado e que tem um partido e, como tal, leva a sua candidatura à Presidência da República… Essa aí eu diria a você que esta liberdade em continuar a sua caminhada na campanha eleitoral é algo que depende muito mais de uma decisão de fórum pessoal”, afirmou.
Mesmo assim, interlocutores próximos ao ex-governador goiano avaliam que a iniciativa de Zema em procurá-lo demonstra abertura para negociações futuras e até para um eventual recuo da pré-candidatura mineira em favor de uma composição ainda no primeiro turno.
Nos bastidores do PSD, aliados de Caiado afirmam que o goiano segue firme no projeto presidencial e avaliam que o desgaste político de Zema, especialmente junto ao eleitorado bolsonarista após divergências envolvendo Flávio Bolsonaro no caso Master, pode enfraquecer a permanência do mineiro na disputa.
“Caiado não recua um milímetro. É muito mais fácil o Zema recuar”, afirmou um interlocutor ligado ao PSD.

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