Waldir reage a ação que pede inelegibilidade e quer Arianne Cândido expulsa do União Brasil
andidato também anuncia ações criminal e cível contra colega de partido e diz que acusação de abuso de poder é baseada em fato que “não existe”

O candidato a deputado federal Delegado Waldir Soares (União Brasil) reagiu nesta quarta-feira (12) à ação eleitoral que pede a cassação de seu registro e sua inelegibilidade. Alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pela candidata a deputada estadual Arianne Cândido Medeiros Ungarelli, também do União Brasil, Waldir afirmou que pediu a expulsão dela do partido e anunciou que pretende acioná-la nas esferas criminal e cível.
Ao G5News, Waldir afirmou que já tinha conhecimento da AIJE e disse que uma das primeiras providências de sua defesa foi levar a disputa para dentro do próprio União Brasil.
“Nós temos conhecimento, sim, da ação. Primeiramente, entramos com o pedido de expulsão dela do União Brasil”, afirmou.
O pedido coloca a disputa nas mãos de dois nomes com quem Waldir mantém divergências políticas. O diretório municipal do União Brasil é comandado pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, enquanto o estadual tem à frente o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto.
Além da tentativa de expulsão partidária, Waldir afirmou que sua defesa prepara uma notícia-crime por denunciação caluniosa e uma ação cível para cobrar reparação por danos.
“Nós vamos entrar também com uma ação criminal, uma denunciação caluniosa contra ela. Ela deu causa à instalação de um fato que ela sabe que não existe qualquer conduta ilícita”, declarou. “Além da ação criminal, há uma ação civil solicitando reparação de danos.”
O candidato disse ainda que pretende adotar uma medida no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), mas não detalhou qual será o objeto da iniciativa.
Gravação cita grupo de 7 mil pessoas
A reação ocorre depois de Arianne ajuizar a AIJE contra Waldir por suposto abuso de poder político durante o período em que ele presidiu o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO).
A ação utiliza como um dos principais elementos uma gravação divulgada pelo Goiás 24 Horas no último dia 9. No áudio atribuído ao então presidente do Detran, Waldir fala sobre processos de credenciamento de instrutores autônomos e menciona “7 mil pessoas que estão com o Delegado Waldir”.
Segundo a representação, Waldir teria questionado uma servidora sobre se ela trabalhava para ele ou para o deputado estadual Charles Bento e cobrado prioridade na análise dos credenciamentos.
Arianne sustenta na ação que a conversa pode indicar interferência em procedimentos administrativos para beneficiar um grupo tratado pelo próprio candidato como sua base política.
A AIJE pede que a Justiça Eleitoral requisite ao Detran documentos, protocolos e registros relacionados aos credenciamentos para apurar se os processos mencionados receberam tratamento diferenciado. Também solicita a preservação e perícia do arquivo original da gravação e de seus metadados.
Waldir nega irregularidade e fala em CNH mais barata
Ao responder às acusações, Waldir apresentou outra versão para o conteúdo da conversa. Ele afirmou que sua atuação estava relacionada ao projeto que permitiu a entrada dos instrutores autônomos e tinha como objetivo reduzir o preço para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
“Essa base de 7 mil, o recado que eu passei é que eu não vou permitir que a CNH mantenha-se em preços altos”, afirmou.
Waldir se apresentou como um dos idealizadores do projeto levado ao governo federal para baratear a habilitação e disse que a criação da figura do instrutor autônomo ampliou a concorrência no setor.
Segundo o candidato, o Detran estaria criando obstáculos para o credenciamento desses profissionais. Ele também acusou setores ligados aos Centros de Formação de Condutores (CFCs) de resistirem às mudanças.
“O Detran atualmente está criando uma série de dificuldades para credenciamento desses instrutores e fazendo exigências absurdas”, disse.
Waldir afirmou ainda que continuará defendendo a redução dos custos da habilitação.
“Não vou deixar de defender as pessoas mais carentes que querem obter a CNH mais barata”, declarou.
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Ação pede cassação e inelegibilidade
A AIJE apresentada por Arianne pede que a Justiça investigue se Waldir utilizou a estrutura e a autoridade da presidência do Detran para favorecer politicamente cerca de 7 mil instrutores autônomos.
A tese da representação é que, caso seja comprovado tratamento privilegiado ao grupo por razões eleitorais, a conduta poderá configurar abuso de poder político.
A própria ação, porém, ressalta que a gravação e as reportagens apresentadas não representam prova definitiva das acusações. O material é apontado como ponto de partida para a produção de outras provas, como documentos, registros administrativos e depoimentos de servidores.
Caso a Justiça Eleitoral conclua pela existência de abuso de poder político, Arianne pede a cassação do registro da candidatura de Waldir — ou do diploma, caso ele seja eleito — e a declaração de inelegibilidade. A ação também solicita o encaminhamento do caso ao Ministério Público Eleitoral e a outros órgãos para eventual apuração nas áreas penal, administrativa e disciplinar.
Delegado Waldir comandou o Detran-GO entre março de 2023 e abril de 2026. Depois de deixar a autarquia, assumiu o cargo de assessor especial da Secretaria de Estado da Administração (Sead), função da qual foi exonerado em julho para disputar uma cadeira de deputado federal.
A apresentação da AIJE não significa condenação nem comprova que houve irregularidade. Caberá à Justiça Eleitoral decidir sobre o processamento da ação, a produção das provas solicitadas e, ao final, se houve ou não abuso de poder político.

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