Vereadora que teve microfone cortado se “vitimizou”, diz promotor
Camila Rosa (PSD), parlamentar da Câmara de Vereadores de Aparecida, acusa o presidente da Casa, André Fortaleza (MDB), por violência política contra mulher.

O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do promotor Milton Marcolino dos Santos Júnior, pediu arquivamento do processo movido pela vereadora Camila Rosa (PSD) contra o presidente da Câmara de Aparecida de Goiânia, André Fortaleza (MDB), sob acusação de violência política contra mulher, na quinta-feira (28), quando encaminhou o inquérito à Justiça.
Camila, que é a única parlamentar mulher da Casa, teve o funcionamento do microfone cortado por ordem de Fortaleza durante discussão numa sessão da Câmara no dia 2 de fevereiro.
À época, a vereadora disse se sentir “agredida” ao ter seu direito de fala impedido e denunciou o caso à polícia.
A delegada Luiza Veneranda entendeu haver indícios suficientes para caracterizar o crime de violência política contra a mulher. Conforme ela, esses comportamentos não são mais aceitáveis no atual cenário político. Além disso, reforçou que a vítima é a única vereadora mulher na atual legislatura, de um total de 25, e faz parte de um grupo de cinco mulheres eleitas desde 1966, em Aparecida de Goiânia.
"A inação do Estado repressor, no caso em análise, poderá contribuir para a continuidade da cultura de violência de gênero na política do nosso Estado, fato que cabe, aos operadores jurídicos, modificar", apontou a investigadora.
Veneranda concluiu o inquérito e indiciou o presidente da Câmara, encaminhando o processo para análise do ministério público. O promotor Milton Marcolino analisou o documento, assistiu às cenas ocorridas no dia dos fatos e entendeu que a vereadora se excedeu durante a fala, levou a discussão para “acusações pessoais e vazias” contra o presidente da casa, divergindo da pauta discutida na sessão.
Marcolino ainda apontou que entre os argumentos da vereadora durante a discussão seguia um discurso de polarização colocando homens contra mulheres, brancos contra pretos, ricos contra pobres, héteros contra homossexuais, entre outros, com a intenção de dividir a sociedade, ganhar apoio público e se vitimizar.
O promotor continua argumentando, pelo parecer do arquivamento do processo, que o ato de o presidente da Casa de Leis pedir o corte do microfone de um parlamentar é algo comum.
"É ato privativo deste, não se configurando, assim, nenhum tipo de constrangimento/humilhação aos membros da respectiva casa. Se assim o considerasse, todos os presidentes deveriam responder, no mínimo, pelo crime de constrangimento ilegal", argumentou o promotor.
A lei que prevê o crime de violência política contra a mulher foi sancionada em 5 de agosto de 2021. O texto criminaliza “assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo”.
O promotor cita o artigo da lei em seu pedido e diz que não houve crime após analisar o vídeo da sessão.
"Não existe nenhuma palavra dita pelo presidente que configurasse constrangimento ou humilhação à vereadora. Mas, pelo contrário, posteriormente, lhe foi franqueada a palavra e ela, utilizando-se desta mesma palavra, com lágrimas, externou seu sentimento na sessão", concluiu.

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