Vereadora chora, anuncia "afastamento" e pode renunciar cargo: “Minha vida é um inferno. Estou doente”
Luciula foi diagnosticada com síndrome do pânico e afirma viver sob efeito de remédio. Pressão do cargo também afeta saúde

Luciula do Recanto (PSD) fez um longo desabafo em suas redes sociais em que afirma estar inclinada a renunciar ao cargo de vereadora em janeiro do próximo ano por enfrentar sérios problemas emocionais, como crises de ansiedade e síndrome do pânico, devido à pressão do mandato e ações contra maus-tratos de animais.
Na live realizada na noite desta quarta-feira (21), Luciula declarou que irá dar uma pausa dos trabalhos na Câmara, dos resgates de animais e sairá de férias para visitar os familiares, que não vê há muito tempo, período em que vai avaliar seu pedido de renúncia.
Ela declarou que com o mandato sua vida tornou-se um verdadeiro inferno e que se não desligar o telefone à noite não consegue nem dormir por causa da demanda. Quando não consegue ajudar, a parlamentar diz ser xingada de “pilantra” e até “vagabunda”.
Depois que vira político, você vira bandido. Sou uma pessoa honesta. Deveriam me respeitar mais, mas não respeitam. Estou pensando em desistir da política. Pensei, será que preciso disso? Se eu tomar um refrigerante estou roubando
“Depois que vira político, você vira bandido. Sou uma pessoa honesta. Deveriam me respeitar mais, mas não respeitam. Estou pensando em desistir da política. Pensei, será que preciso disso? Se eu tomar um refrigerante estou roubando”, afirmou Luciula.
Por isso decidiu que não irá mais resgatar animais, até porque não há mais lugar em seu abrigo e nem para onde levá-los.
“Estão fazendo muita maldade comigo, numa responsabilidade que não é só minha [cuidar dos animais]. A responsabilidade é do prefeito, do governador e de outros governantes”, declarou.
A vereadora afirmou que o momento é de cuidar da saúde.
“Terei que me ausentar. Não queria assumir isso, infelizmente, mas estou doente. Passando por alguns problemas emocionais sérios que no começo eu não dava importância”, explicou.
Luciula declarou ainda ter ido para o hospital muitas vezes, inclusive, dando entrada de forma anônima e pedindo que não fosse divulgado à imprensa para que sua vida não fosse exposta devido à doença.
“O médico me disse: ‘seu coração não vai aguentar e a senhora vai surtar a qualquer momento’. Então, me vi sem saída, ou cuido de mim ou dos cachorros”, pontuou.
“Síndrome de ansiedade, pânico. Vomito todos os dias. Fiz bariátrica há alguns anos, mas por causa do psicológico não tem sido bom”, continuou, se emocionando em seguida.
O médico me disse: ‘seu coração não vai aguentar e a senhora vai surtar a qualquer momento’. Então, me vi sem saída, ou cuido de mim ou dos cachorros
A parlamentar disse estar vivendo sob efeito de medicamentos.
“Tomo remédio para acordar, para passar o dia e para dormir. Sem remédio eu não paro em pé”, disse.
Ameaças
Luciula do Recanto pontuou que já recebeu cerca de 78 ameaças de morte por realizar resgates de animais e com a ajuda da Polícia Militar conseguiu prender acusados de maus-tratos.
A família dela também teria recebido estas ameaças.
A parlamentar afirma ainda que sofre retaliações políticas por causa de seu trabalho na Câmara em prol dos animais. Mas elogia o apoio que recebe dos colegas de Parlamento.
“Esse ano levei muitos tapas e muitos processos, foram uns 30. A gente não pode falar nada e minha boca é grande”, explica.
Lembrou das emendas enviadas ao Centro de Bem-Estar Animal, que está em construção.
Ela também enviou recursos no montante de R$ 458 mil para universidade pública de Goiás, além de R$ 1,7 milhão para castração em clínicas particulares.
“Também ajudei o Abrigo dos Refugados doando emenda de R$ 80 mil”, lembrou.
Assista vídeo na íntegra:

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