Vereador é cercado em igreja e preso por "rombo milionário" na Cultura de Goiânia; assista
Zander Fábio foi detido dentro da Igreja Matriz de Campinas após perceber movimentação policial pelas câmeras de casa e tentar se esconder no banheiro; investigação aponta desvio de mais de R$ 1,5 milhão

A manhã desta terça-feira (26) começou com viaturas nas ruas, mandados sendo cumpridos e uma cena que rapidamente ganhou repercussão política em Goiânia: a prisão do vereador e ex-secretário municipal de Cultura, Zander Fábio (Podemos), durante uma missa na Igreja Matriz de Campinas, em meio a uma operação da Polícia Civil que investiga supostos desvios de recursos públicos e contratos sem licitação na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz.
Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Deccor), Zander é suspeito de envolvimento em irregularidades na aplicação de verbas da cultura quando comandava a secretaria.
O momento da prisão chamou atenção. De acordo com a apuração, Zander participava da celebração religiosa quando percebeu uma movimentação considerada suspeita. Ele acessou as câmeras de segurança de sua residência e identificou a presença de policiais no imóvel. Ao perceber que era alvo da operação, tentou se refugiar em um banheiro, mas acabou localizado e detido pelos agentes.
O carro do vereador foi apreendido e levado para a sede da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE), em frente à Secretaria de Segurança Pública de Goiás.
A ofensiva policial começou ainda de madrugada, por volta das 5h, mobilizando um grande efetivo na capital. A operação cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão com apoio de delegacias especializadas, entre elas Deic, Denarc e Delegacia de Homicídios.
Além de Zander, foram presos Elton da Silva Nogueira, diretor do Clube Clássico Goiano, e Jean de Jesus Magno Lima e Silva, presidente da entidade e apontado como principal articulador do suposto esquema.
As investigações apontam que uma associação formada por agentes públicos e particulares teria criado empresas de fachada para receber recursos públicos por meio de contratações diretas, sem licitação, realizadas em 2024.
Segundo a Polícia Civil, mais de R$ 1,5 milhão teriam sido destinados a empresas contratadas para prestar serviços ligados a eventos de exposição de carros antigos promovidos por um clube da capital. No entanto, as apurações indicam que essas empresas eram recém-criadas, não tinham estrutura operacional e mantinham ligação direta com integrantes da entidade organizadora.
A suspeita é de que os contratos fossem usados apenas para justificar pagamentos e que parte do dinheiro retornasse aos investigados por meio de despesas pessoais e repasses diretos.
“Criava-se um esquema e esses valores voltavam para os bolsos dessas pessoas investigadas, sem a prestação do serviço que constava”, apontam as investigações.
Outro desdobramento da operação atingiu o núcleo político ligado à antiga administração municipal. O escritório político do ex-vereador e ex-deputado Leandro Sena, no Setor Novo Horizonte, também foi alvo de mandado de busca e apreensão. Equipes da Polícia Civil permaneceram no local recolhendo documentos, arquivos e materiais que podem reforçar o inquérito.
A Justiça autorizou ainda o bloqueio de bens, quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e proibiu os alvos de firmarem contratos com o poder público.
Os três presos devem responder por associação criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Zander Fábio ocupava atualmente uma cadeira na Câmara Municipal em substituição à vereadora Leia Clebia, licenciada do mandato. Antes disso, comandou a Secretaria Municipal de Cultura durante a gestão de Rogério Cruz e agora passa a figurar entre os principais alvos da investigação que apura o suposto esquema milionário envolvendo recursos públicos da área cultural.
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