Vereador e 5 servidores viram réus por receberem propina para “sumir” com impostos
Justiça determinou ainda o bloqueio de bens dos acusados e o afastamento da Prefeitura de Valparaíso, no Entorno do Distrito Federal.

A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público Estadual (MPGO) contra o vereador Paulo Brito, que é fiscal de tributos, e servidores da Prefeitura de Valparaíso de Goiás (189 km de Goiânia), Bruna Mousinho Martins (fiscal de tributos), Gabriela de Cássia da Silva Emer e José Emidiano Teodosio de Oliveira. Os ex-servidores Geizivaldo de Araújo Lima Franco e Wellington Joas Lacerda de Brito também foram denunciados pela promotoria.
A denúncia é desdobramento de investigação que culminou com cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão em 5 de abril.
Conforme a investigação criminal, fiscais e servidores lotados na Superintendência de Receita Tributária e na Superintendência de Serviços de Fiscalização Municipal (Susfim) teriam abordado contribuintes solicitando o pagamento de tributo ou débito fiscal com menor valor.
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Posteriormente, os servidores municipais realizavam a inserção falsa de dados para excluir o débito tributário ou a dívida do sistema do órgão municipal, mediante recebimento de propina.
A apuração, que foi embasada em auditoria do sistema de dados da Superintendência de Receita Tributária, identificou diversas operações irregulares nos anos de 2019 a 2021, sob as rubricas “prescrição”, “cancelamento” ou “baixa por processo”, sem justificativa idônea, de contribuintes pessoas físicas ou jurídicas, praticadas por servidores da Superintendência de Receita Tributária e da Superintendência de Serviços de Fiscalização Municipal (Susfim), que utilizam o mesmo sistema operacional, denominado “Governa”.
Foram imputados aos denunciados os crimes previstos no artigo 2º, caput, combinado com parágrafos 3º e 4º, inciso II, da Lei nº 12.850/2013 (integrar organização criminosa), e nos artigos 317, caput (corrupção passiva); 313-A (inserção de dados falsos em sistema de informações) e 337 (subtração ou inutilização de livro, ou documento), todos do Código Penal.
A denúncia foi oferecida pela promotora de Justiça Oriane Graciani de Souza, titular da 3ª Promotoria de Valparaíso de Goiás.
Com o recebimento da denúncia, os seis agora respondem a processo pelos crimes apontados.
Decisão determinou afastamento dos servidores das funções
Ao analisar os pedidos do MPGO de aplicação de medidas cautelares, o juiz Gustavo Costa Borges, da 2ª Vara Criminal da comarca, determinou o “afastamento dos denunciados Bruna Mousinho, Gabriela de Cássia Emer, Paulo Brito, José Emidiano, Geizivaldo de Araújo Franco e Wellington Brito dos cargos que ocupam na Superintendência de Receita Tributária, na Susfim, na Câmara Municipal ou em qualquer outro órgão municipal de Valparaíso de Goiás”.
Determinou ainda a suspensão temporária do exercício das funções públicas, sem prejuízo das respectivas remunerações. Também como medida cautelar, está proibido o acesso dos acusados aos órgãos públicos mencionados, “salvo por convocação do chefe do órgão ou do prefeito, mediante comunicação prévia ao juízo”.
Os denunciados também não poderão manter contato entre si ou com os “demais membros da organização criminosa e testemunhas”.
Bloqueio de bens também foi deferido
O requerimento de bloqueio de bens dos acusados visando garantir eventual pagamento de multa no processo também foi deferido pela Justiça.
Assim, foi determinado o bloqueio nas contas e aplicações financeiras dos denunciados conforme apontado pelo MPGO.

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