Um dia após visita de Flávio, governo americano coloca CV e PCC na lista de organizações terroristas
O governo Trump reforçou que a decisão faz parte de uma estratégia maior para desmantelar cartéis e cortar as fontes de dinheiro que financiam o narcoterrorismo

A partir da próxima semana, o CV e o PCC serão designados oficialmente como "terroristas globais" e "organizações terroristas estrangeiras". Segundo os EUA, essa rotulagem é necessária porque essas facções já não operam apenas dentro das fronteiras brasileiras, mas possuem ramificações em diversos países da região e já têm integrantes identificados em solo americano — com registros de atuação em estados como Flórida, Nova York e Massachusetts.
O governo Trump reforçou que a decisão faz parte de uma estratégia maior para desmantelar cartéis e cortar as fontes de dinheiro que financiam o narcoterrorismo. O comunicado oficial é claro: a Casa Branca pretende usar todas as ferramentas possíveis para barrar a entrada de drogas e impedir que essas organizações ganhem força em território dos Estados Unidos.
A notícia não foi bem recebida pelo governo brasileiro. No ano passado, o Ministério da Justiça já havia negado um pedido formal para que o Brasil adotasse a mesma classificação.
A justificativa técnica, defendida pelo secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, é que a legislação brasileira é bem específica: para ser terrorismo, o ato precisa ter motivação ideológica, política, religiosa ou de preconceito. Como o PCC e o CV são focados em lucro, tráfico e lavagem de dinheiro, a interpretação do governo é de que eles são "organizações criminosas", e não "grupos terroristas".
O medo nos corredores de Brasília é que, ao carimbar os grupos como terroristas, os Estados Unidos ganhem o "sinal verde" político para ações mais agressivas, inclusive militares, como o país já fez em outras partes do mundo para combater ameaças que considera globais.

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