STF mantém Bolsonaro na “Papudinha”; Moraes aponta prisão com "atendimento adequado"
Votos de Cristiano Zanin e Flávio Dino seguem decisão de Alexandre de Moraes e rejeitam pedido para que o ex-presidente cumpra pena em casa

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quinta-feira (5) para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro preso na chamada “Papudinha”, unidade prisional do Distrito Federal onde ele cumpre pena de 27 anos e três meses de reclusão por crimes contra a democracia.
Com o voto de Zanin, formou-se maioria na Primeira Turma da Corte para negar o pedido da defesa que tentava transferir Bolsonaro para prisão domiciliar.
Na segunda-feira (2), o ministro Alexandre de Moraes já havia rejeitado o pedido e levou a decisão para referendo do colegiado. O julgamento ocorre em ambiente virtual, com votos remotos, e começou às 8h desta quinta-feira.
Além de Zanin, o ministro Flávio Dino também acompanhou integralmente o entendimento de Moraes, que apenas reproduziu a decisão anterior. A ministra Cármen Lúcia tem até as 23h59 desta quinta para apresentar o voto.
Atendimento médico
Na decisão que negou a prisão domiciliar, Moraes afirmou que a unidade prisional oferece atendimento médico adequado ao estado de saúde do ex-presidente.
Segundo o ministro, a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica registrada no ano passado também pesa contra a concessão do benefício.
De acordo com Moraes, a estrutura da prisão conta com serviços médicos contínuos, sessões de fisioterapia, atividades físicas e assistência religiosa, além de adaptações feitas para atender às necessidades do condenado.
Onde Bolsonaro está preso
A cela onde Bolsonaro cumpre pena fica dentro do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. O espaço foi originalmente projetado para abrigar policiais infratores.
As instalações passaram por adaptações para receber o ex-presidente. O local ficou conhecido como “Papudinha” por estar próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda, principal presídio de Brasília.
Condenação
Em 11 de setembro de 2025, por quatro votos a um, a Primeira Turma do STF considerou Bolsonaro culpado de liderar uma organização criminosa com objetivo de dar um golpe de Estado no país.
Ele também foi responsabilizado pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, provocando mais de R$ 30 milhões em prejuízos materiais.

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