Senado reduz inelegibilidade para políticos condenados; veja quem votou a favor
Presidente da Casa, Alcolumbre, que deixou a presidência da sessão para garantir seu voto favorável, argumentou que “a inelegibilidade não pode ser eterna”

Senado Federal aprovou, na de terça-feira (2), por 50 votos a favor, uma emenda significativa à Lei da Ficha Limpa, que promete, já aprovada pela Câmara dos Deputados, agora aguarda a sanção ou veto presidencial. A nova redação altera o tempo de inelegibilidade de políticos condenados, reduzindo-o para um único prazo de oito anos, a contar de eventos como perda de mandato e condenação em segunda instância.
Durante uma sessão semipresencial, a mudança na lei recebeu o apoio de senadores de diversos partidos. Esta nova norma estabelece um teto máximo de 12 anos de proibição de participação nas eleições, mesmo que o político acumule múltiplas condenações. Os senadores que votaram a favor da mudança incluem figuras como Alan Rick (União-AC), Beto Faro (PT-PA), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Alcolumbre, que deixou a presidência da sessão para garantir seu voto favorável, argumentou que “a inelegibilidade não pode ser eterna”, enfatizando que o tempo de oito anos é suficiente e necessário para promover uma atualização da legislação.
A aprovação, no entanto, gerou reações negativas, especialmente do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que considera a mudança um retrocesso. O movimento alegou que a nova legislação “reduz de forma significativa o alcance das inelegibilidades previstas”, permitindo que políticos condenados por crimes graves, como corrupção, retornem à vida pública antes do esperado.
Entre os senadores que se opuseram à proposta, destacam-se nomes como Alessandro Vieira (MDB-SE) e Humberto Costa (PT-PE), que levantaram preocupações sobre a moralidade dessa flexibilização nas leis eleitorais.
Possíveis Beneficiados
Uma análise dos impactos da nova legislação mostra que figuras como o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e o ex-deputado federal Eduardo Cunha poderiam se beneficiar significativamente desta mudança, dando-lhes a oportunidade de retornar à política muito antes do que seria permitido sob as regras antigas.
Agora, a expectativa se volta para o Palácio do Planalto, onde o presidente da República decidirá se sanciona ou veta a proposta. As implicações dessa mudança podem redesenhar o panorama político do Brasil nos próximos anos, reafirmando a necessidade de discussão sobre a ética e a legislação eleitoral no país.
Lista dos Senadores a Favor
- Alan Rick (União-AC)
- Ana Paula Lobato (PDT-AM)
- Angelo Coronel (PSD-BA)
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
- Beto Faro (PT-PA)
- Carlos Portinho (PL-RJ)
- Carlos Viana (Podemos-MG)
- Chico Rodrigues (PSD-RR)
- Ciro Nogueira (PP-PI)
- Daniella Ribeiro (PP-PB)
- Davi Alcolumbre (União-AP)
- Dr. Hiran (PP-RR)
- Dra. Eudócia (PL-AL)
- Efraim Filho (União-PB)
- Esperidião Amin (PP-SC)
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
- Giordano (MDB-SP)
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
- Irajá (PSD-TO)
- Ivete da Silveira (MDB-SC)
- Izalci Lucas (PL-DF)
- Jaques Wagner (PT-BA)
- Jayme Campos (União-MT)
- Jorge Kajuru (PSB-GO)
- Jorge Seif (PL-SC)
- Jussara Lima (PSD-PI)
- Laércio Oliveira (PP-SE)
- Lucas Barreto (PSD-AP)
- Luis Carlos Heinze (PP-RS)
- Marcio Bittar (PL-AC)
- Marcos Rogério (PL-RO)
- Margareth Buzetti (PP-MT)
- Nelsinho Trad (PSD-MS)
- Omar Aziz (PSD-AM)
- Otto Alencar (PSD-BA)
- Pedro Chaves (MDB-GO)
- Plínio Valério (PSDB-AM)
- Professora Dorinha Seabra (União-TO)
- Renan Calheiros (MDB-AL)
- Rodrigo Pacheco (PSD-MG)
- Rogerio Marinho (PL-RN)
- Rogério Carvalho (PT-SE)
- Romário (PL-RJ)
- Sergio Moro (União-PR)
- Soraya Thronicke (Podemos-MS)
- Sérgio Petecão (PSD-AC)
- Tereza Cristina (PP-MS)
- Wellington Fagundes (PL-MT)
- Weverton (PDT-MA)
- Zequinha Marinho (Podemos-PA)
Lista dos Senadores Contra
A lista dos senadores que se posicionaram contrariamente à proposta inclui 24 parlamentares, representando uma variedade de escolhas e opiniões sobre a questão da inelegibilidade.
As mudanças na Lei da Ficha Limpa reacendem o debate sobre a ética na política brasileira e os limites da justiça em um contexto de processos eleitorais cada vez mais complexos e controversos.

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