O jogo para 2026 em Goiás avança em ritmo acelerado — mas não para todos. Enquanto adversários consolidam alianças e distribuem espaços estratégicos, o PSDB de Marconi Perillo enfrenta um cenário de isolamento político que contrasta com o passado de protagonismo da legenda no estado.
Marconi tenta viabilizar sua pré-candidatura ao Governo, mas, até agora, não há registro de siglas relevantes dispostas a ocupar as vagas de vice ou de senador em sua chapa. O vazio chama atenção principalmente porque os demais grupos já operam com estrutura praticamente definida.
No campo da direita, o senador Wilder Morais (PL) ampliou o peso político da sua pré-candidatura ao filiar Ana Paula Rezende, que deixou o MDB para assumir o posto de pré-candidata a vice-governadora. O movimento incorpora o espólio político do “irismo” ao projeto do PL, que já conta com Gustavo Gayer como nome consolidado ao Senado. O partido ainda mantém conversas avançadas com o NOVO para formar um bloco de direita de perfil mais ideológico em 2026.
Na base governista, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) vive situação oposta à do PSDB: sobra de interessados na composição majoritária. A primeira-dama Gracinha Caiado (União) desponta como favorita ao Senado, enquanto Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso disputam espaço para a segunda vaga.
Diante desse “congestionamento” nos palanques adversários, o isolamento tucano ganha contornos ainda mais evidentes. Sem PP ou PSD — que preferem a segurança da máquina estadual — Marconi pode ser empurrado para uma chapa puro-sangue, restrita aos quadros do próprio PSDB.
Se para Wilder e Daniel o desafio é administrar excesso de aliados, para Marconi o obstáculo é mais básico: provar que sua candidatura ainda mobiliza apoios em um cenário onde as principais forças políticas já fizeram suas escolhas. No atual desenho, a oposição tucana parece disputar espaço em um terreno cada vez mais estreito.