Santa Casa de Anápolis suspende atendimentos e culpa falta de repasses; Naves nega atrasos e aumenta verba em R$ 250 mil
Atualmente, a Santa Casa recebe recursos mensais do Governo Federal (R$ 3,1 milhões), Estadual (R$ 889 mil) e da Prefeitura de Anápolis (R$ 4 milhões), única que repassa após comprovação do serviço

A Santa Casa de Anápolis (55 km de Goiânia) suspende a partir desta sexta-feira (26), os atendimentos a novos pacientes por falta de recursos para custear remédios e pagar o salário da equipe médica. Em nota, a unidade filantrópica informou que também estão suspensos os serviços não-emergenciais no Pronto Atendimento Obstétrico. Apenas o setor de oncologia segue funcionando normalmente. Novos pacientes poderão ser remanejados para hospitais da Capital.
Ainda de acordo com a unidade, a Fundação de Assistência Social de Anápolis (Fasa), que mantém hospital, opera com déficit de R$ 1,5 milhão por mês. Atualmente, a Fundação sustenta a Santa Casa com recursos mensais do Governo Federal, R$ 3,1 milhões, Estadual, R$ 889 mil, e da Prefeitura de Anápolis, média de R$ 4 milhões.
Contudo, a instituição alega que o município não tem feito os repasses, acusação de que o prefeito Roberto Naves (PP), rebateu em entrevista à TV Anhanguera.
“A Prefeitura não tem nenhum repasse em atraso. Repassamos o dinheiro a partir do momento que a Santa Casa comprova a execução do serviço. A Santa Casa é uma organização social pactuada com o SUS, cuja tabela é deficitária em todos os serviços”, afirmou Naves. “O que a Santa Casa tem pleiteado é que façamos um complemento, para que os leitos de UTI consigam se pagar”, completou.
Justiça nega liminar
Diante da crise, o Ministério Público de Goiás (MPGO) entrou com pedido de liminar na Justiça para que a Prefeitura de Anápolis e o Estado de Goiás ajudem a custear parte da operação dos serviços de UTI adulto, UTI neonatal, UTI pediátrica, clínica médica, clínica pediátrica e emergência obstétrica. Porém, o pedido foi negado pela juíza Mônice de Souza Balian Zaccariotti, que considerou descabida a ação civil pública.
“Trata-se de hospital privado que decidiu prestar serviço filantrópico e, para tanto, afirma depender de recursos do SUS”. A juíza afirma ainda que o Ministério Público não tem legitimidade para ingressar com ação do tipo, pois isto caberia “à gestora do hospital [FASA], pessoa jurídica privada.” Ainda segundo a magistrada, a Santa Casa já recebe repasses da União para tal.
Valores repassados pelo município
Em contrapartida às acusações recebidas, a Prefeitura de Anápolis informa que os repasses para a Santa Casa chegam a R$ 53 milhões anuais. Os valores seriam referentes ao pagamento de serviços de saúde prestados pelo convênio com o município via Sistema Único de Saúde (SUS). Diferente dos demais entes, os repasses do Município só são creditados depois da comprovação da execução dos serviços.
Além disso, a Câmara Municipal de Anápolis aprovou uma lei que garante o repasse de mais R$ 250 mil por mês à unidade. O repasse deve começar em 30 dias e será destinado à manutenção das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). De acordo com a Prefeitura, a verba paga pelas UTIs chegará a R$ 56 milhões por ano, mas pode chegar a R$ 58 milhões.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou que “que mantém plano de fortalecimento para colaborar financeiramente com a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, e neste ano já foram repassados R$ 4.567.597,69 para o Fundo Municipal de Saúde de Anápolis, para custeio da unidade hospitalar. Os repasses estão em dia e foram reajustados em 20% com vigência a partir de junho”, diz o texto.

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