Rombo na Saúde de Goiânia bate R$ 250 milhões e gestão Cruz "deve" a todos os hospitais
Investigação do MP começou pelo fato de muitos pacientes permanecerem em UPAs e Cais por períodos prolongados, à espera de leitos hospitalares

Um levantamento realizado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) revela que a dívida da Prefeitura de Goiânia com hospitais particulares e filantrópicos ultrapassa os R$ 250 milhões. A situação tem levado ao fechamento de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e enfermarias na cidade, agravando a crise no sistema de saúde com pacientes morrendo aguardando vaga em UTIs.
A investigação do MPGO, iniciada em maio através de uma ação civil pública, identificou que muitos pacientes estão permanecendo em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros de Atenção Integrada à Saúde (Cais) por períodos prolongados, à espera de leitos hospitalares. A falta de pagamento por parte da Prefeitura resultou no rompimento de contratos com prestadores de serviço, como o Hospital Ortopédico e o Hospital da Criança.
A crise financeira afetou gravemente a capacidade dos hospitais de atenderem. Apesar de haver hospitais dispostos a receber pacientes, a Secretaria Municipal de Saúde não estava realizando os pagamentos devidos, o que levou a um encolhimento da oferta de leitos de UTI na capital. O MP destacou que muitos leitos, embora habilitados no Sistema Único de Saúde (SUS), não estão sendo ocupados devido à falta de pagamento aos prestadores e a não transferência de pacientes pela Prefeitura.
O MPGO também apontou que a dívida acumulada com diversas unidades contratualizadas é significativa. O Hospital Gastro Salustiano, por exemplo, relatou um débito referente ao custeio de diárias de UTI adulto tipo II e enfermaria para pacientes com Covid-19, totalizando R$ 203,1 milhões para o período de maio a junho de 2022. Outras instituições também enfrentam dívidas substanciais: Santa Casa (R$ 18 milhões), Hospital Jacob Facuri (R$ 20 milhões), Araújo Jorge (R$ 34 milhões), Hospital Ortopédico (R$ 1 milhão), e São Judas Tadeus (R$ 6 milhões).
Além disso, há um montante de cerca de R$ 102 milhões não repassados às unidades contratadas, apesar dos recursos terem sido enviados pelo Ministério da Saúde.
Em outubro, o secretário municipal de saúde, Wilson Pollara, afirmou que assumiu a pasta com uma dívida de mais de R$ 260 milhões, mas que teria conseguido quitar aproximadamente 70% desse valor. No entanto, essa informação é contestada por diretores médicos e sindicatos, que relatam atrasos nos salários de médicos e nos pagamentos por atendimentos, incluindo verbas carimbadas do Ministério da Saúde.
Pollara reiterou que parte dos débitos com os prestadores de saúde foi quitada, mas não conseguiu especificar o valor atualizado da dívida.
"Quando assumi a pasta, peguei R$ 265 milhões em dívidas. Hoje esse número é bem menor, mas não consigo especificá-lo", declarou.
O MPGO continua monitorando a situação e buscando medidas legais para garantir que a Prefeitura de Goiânia cumpra suas obrigações financeiras com os hospitais, assegurando que a população tenha acesso aos serviços de saúde necessários. A resolução deste impasse é crucial para evitar o colapso do sistema de saúde na capital goiana.
Com informações Jornal Opção.

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