Rogério Cruz é acusado de pagar R$ 9 milhões sem licitação por programa não executado; veja vídeos
Vereadora Aava Santiago pediu explicações ao prefeito durante a prestação de contas da prefeitura na Câmara de Goiânia na tarde dessa quarta-feira (15).

Durante prestação de contas da prefeitura de Goiânia, na tarde dessa quarta-feira (15), na Câmara de Vereadores, o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) foi questionado pela vereadora Aava Santiago (PSDB) sobre o investimento de R$ 9 milhões já pagos pelo Executivo pelo programa Conecta Educação que não foi implantado, até hoje, em nenhuma escola municipal.
O Conecta Educação, apresentado pelo prefeito Rogério Cruz e pelo secretário de Educação da Capital, Wellington Bessa, em outubro de 2021, tinha a intenção de fazer “revolução digital” na Educação municipal, interligando informações de frequência, alimentação e registros diversos de forma automatizada até dezembro do mesmo ano, já que, até então, tudo era feito manualmente.
Entre os serviços prestados pelo “Conecta Educação” foi destacado o registro de frequência de alunos e servidores por reconhecimento facial, porém, como mostra vídeo divulgado por Aava, que foi às escolas conferir se o sistema está funcionando e descobriu que há apenas um papelão colocado na parede com um “buraquinho” sinalizando onde deveria estar instalado o equipamento, que até hoje não foi entregue.
Na tribuna, a vereadora apontou “farra com dinheiro público” e quis saber onde estão esses R$ 9 milhões, já que até hoje, mais de seis meses após o prazo estipulado pela própria prefeitura para o funcionamento do “Conecta Educação”, não foi instalado em nenhuma das escolas municipais.
Outro ponto levantado por Aava é que a gestão Rogério Cruz, com apenas um ano e seis meses de “atuação”, só na pasta da Educação já realizou quase 60 milhões em contratos sem licitação, baseados apenas em ata de preço.
A parlamentar ressaltou que “o que não é licitado não pode cumprir integralmente os requisitos de fiscalização e transparência”.
“Cem por cento das escolas afirmou que os equipamentos não estão funcionando, o contrato diz que eles seriam implementados até dezembro do ano passado (2021) e segue adesão a ata valores pagos, já foi pago viu. Como é que pode a prefeitura de Goiânia ter pago quase R$ 11 milhões para adquirir equipamentos que não chegaram a nenhuma das unidades de educação municipal, precisam nos explicar como é que veta um projeto de iniciativa social, o “empregue uma mãe”, alegando falta de recursos, mas fazem farra com dinheiro público sem licitação e adesão de ata em contratos milionários de quase R$ 60 milhões”, cobrou Aava na tribuna.
A vereadora ressaltou ainda que irá acionar o Ministério Público (MP) para obter as respostas.
Em seu momento de fala, o prefeito se mostrou bastante incomodado com a “Farra com dinheiro público”, convidou o secretário Wellington Bessa para explicar tecnicamente o porquê o “Conecta Educação” não está em funcionamento e, brevemente respondeu à vereadora defendendo sua gestão.
“Quero deixar bem Claro que um dos pontos primordiais da nossa gestão é a responsabilidade de transparência com o erário público, aliás é o que todos perceberam aqui, pois, nós trouxemos números suficientes para que vocês pudessem garantir que não há farra com dinheiro público. Farra com dinheiro público é algo muito... Eu não vejo nenhum outro tipo de interpretação para dizer “farra com dinheiro público”. Pode até assistir gestores mundo à fora, no Brasil, que faça eu não faço e gostaria então que, todas as vezes que a senhora tivesse alguma dúvida no que diz respeito ao uso do dinheiro público, que me procure direto no gabinete, que sempre foi aberto aos vereadores e não é para a senhora que eu fecharia a porta. Se tem qualquer dúvida é melhor que procure nosso gabinete e tire essas dúvidas do que falar do microfone que nós estamos fazendo farra com dinheiro público”, respondeu o prefeito e, em seguida, passou a palavra para o secretário de Educação.
Em seguida, Bessa fez questão de ressaltar que o “Conecta Educação” não é um sistema de Reconhecimento facial apenas. Explicou que o sistema Conecta Educação foi idealizado no final do ano de 2021 para que a gente pudesse trazer à Secretaria de educação tecnologia.
“Quando nós chegamos à prefeitura todos os processos eram mistos ou processos 100% físicos, isso traz um prejuízo para o erário de cerca de 30% somente de pessoal com tramitação de processos. O Conecta Educação é um sistema com 22 módulos entre os quais um deles é o sistema de Reconhecimento facial, que vai identificar o aluno quando ele entra na escola quando ele sai da escola, e vai identificar o servidor quando ele entra na escola quando ele sai da escola, porque essa frequência hoje ela é completamente manual. O objetivo é trazer economia para a prefeitura”, começou Bessa.
Sobre o não funcionamento do Conecta Educação, o secretário também tentou explicar que as unidades de educação, todos os servidores estão em treinamento. Ressaltou que todas as unidades já estão com o equipamento e que alguns deles não foram instalados ainda porque não foi interligado com o sistema.
“Não existe essa posição de nada abandonado prefeito, não existe nenhum sistema meramente reconhecimento facial, mas sim, sistema integrado e completo de gestão educacional, porque entendemos a época, assim como os órgãos de controle, que era o melhor para a nossa secretaria de educação e para a prefeitura de Goiânia”, explica o secretário.
Veja a colocação da vereadora e a resposta da prefeitura

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