Rogério Cruz diz que “livros provocam sinusite em crianças” para justificar fechamento de bibliotecas nas escolas
A tentativa de "justificativa" malsucedida do prefeito de Goiânia aconteceu durante a prestação de contas do Executivo na Câmara Municipal nessa segunda-feira (12)

Durante prestação de contas do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), na última segunda-feira (12), o Chefe do Executivo foi questionado sobre o fechamento de bibliotecas em escolas e o prejuízo que a ação ocasiona aos alunos. Como forma de justificativa, o prefeito alegou que ‘livros em salas fechadas provocam sinusites em crianças’.
Essa questão já está é bastante discutida há algum tempo no plenário. Conforme o prefeito, a retirada de livros é devido à saúde dos alunos, mas outro benefício será implantado no lugar, como a implementação de tablets e computadores.
Por sua vez, o vereador Mauro Rubem (PT), parlamentar que constantemente tenta impedir o fechamento das bibliotecas, citou que o problema dessas escolas é que não estão cuidadas da maneira como deveria. “Qualquer casa que não limpa vai dar árcaro. Se a biblioteca de uma escola está tendo árcaro, é porque não está sendo cuidada”, insinuou.
Determinação
Em novembro, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) determinou que a prefeitura não feche as 50 bibliotecas que seriam transformadas em sala de aula, pois a regra obriga que todas as unidades de ensino tenham bibliotecas e que no mínimo um livro para cada aluno.
Com a medida, a Secretaria Municipal se manifestou e afirmou que para 2023 o objetivo é remanejar algumas salas de leitura. Outro fator seria a retirada de crianças de 4 a 5 anos dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEis) para as escolas fundamentais, mas o Ministério Público de Goiás solicitou uma liminar para que seja suspensa a remoção
Confira a nota da Prefeitura de Goiânia
A propósito do remanejamento de algumas salas de leitura — tema abordado durante prestação de contas do segundo quadrimestre de 2022, nesta segunda-feira (12), na Câmara Municipal — o prefeito Rogério Cruz esclarece que a medida não significa o fechamento de bibliotecas.
O gestor destacou que todas as unidades da Rede Municipal de Educação continuarão com seus acervos de livros, materiais e brinquedos pedagógicos, que são utilizados em todo o ambiente escolar.
No entanto, conforme detalhado por Rogério Cruz, ocorreu uma divergência a respeito da interpretação sobre a iniciativa do Paço, que já foi prontamente esclarecida pela Secretaria Municipal de Educação.
Rogério Cruz ressalta sua defesa em prol da ampliação do uso da tecnologia no fomento à leitura, que ocorre aliada ao uso dos livros físicos que compõe os acervos de 173 escolas, que recebeu, ao longo deste ano, cerca de 400 mil livros literários.
O prefeito reitera que a intenção não é tirar livros das escolas e frisa a importância do desenvolvimento tecnológico no aprendizado. Lembra ainda que, alguns alunos com problemas de saúde, por exemplo sinusite, serão beneficiados com esse investimento em tablets e computadores.
A sua fala, no entanto, refere-se à democratização do acesso à leitura. Por fim, Rogério Cruz lamenta interpretações equivocadas a respeito de um tema tão importante e caro à sociedade como um todo.

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