Rogério Cruz deve ser ouvido pelo MP, que apura irregularidades cometidas na Comurg
Dentre os nomes que receberam mais de R$ 300 mil em acordos, está o de Edimar Ferreira da Silva, sogro do ex-presidente da Comurg, Alisson Borges, preso por fraude em licitação

O ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (SD), será ouvido pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), que apura um esquema que está sendo chamado de “fábrica de acordos extrajudiciais”, feitos com funcionários do alto escalão da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Além dessa investigação, o MP também instaurou inquérito para esclarecer os supersalários pagos dentro da empresa. As irregularidades teriam ocorrido na gestão de Rogério.
Segundo reportagem da TV Anhanguera, funcionários da Comurg teriam recebido indenizações quase milionárias, advindas de acordos que não se justificariam. Dentre os indícios, existe a suspeita da chamada “rachadinha”, quando os funcionários que recebem os altos salários precisam dividir o dinheiro, geralmente com políticos. Acredita-se que no decorrer das investigações, nomes de vereadores, ex-secretários e deputados poderão vir à tona.
Em nota, a assossoria do ex-prefeito Rogério Cruz, informou que ainda não houve nenhuma notificação da Justiça sobre um possível depoimento ao Ministério Público. A nota também diz que "qualquer esclarecimento necessário poderá ser prestado aos órgãos competentes, respeitando os trâmites legais e a transparência que sempre pautaram a administração". (Veja a nota completa no final da reportagem).
Investigados
Dentre os investigados, estão Adriano Renato Gouveia, ex-diretor financeiro, responsável pelos pagamentos - exonerado do cargo nesta terça-feira (28); Edimar Ferreira da Silva, sogro do ex-presidente da Comurg, Alisson Borges - Edimar recebeu uma indenização de R$ 336 mil; Alisson Borges, ex-presidente da Comurg, preso em abril de 2024 por suspeita de fraude em licitação - Quase R$ 500 mil em dinheiro foram encontrados na casa dele durante operação da Polícia Civil.
Além desses, também são citados João Claudio Bastos Guimarães, chefe de serralheria da Comurg, que recebeu R$ 662 mil de indenização, dividido em duas parcelas, em 2023; Márcio Porfírio, ex-chefe de departamento jurídico da Comurg, responsável por assinar os pagamentos para Edimar e João Cláudio. Uma auditoria interna promovida pela nova gestão da Prefeitura de Goiânia também aponta irregularidades relacionadas às finanças da Comurg.
Nova gestão
Em entrevista coletiva, o prefeito Sandro Mabel revelou que foram identificados mais de 1 mil funcionários que recebiam sem trabalhar na Comurg. De acordo com ele, essa suposta indústria de indenizações “quebra o município”. Mabel afirma que várias ações rescisórias serão feitas para revisar de vez todos os esquemas que possam trazer prejuízo ao município.
“Há pouco tempo atrás, fizeram um acordo em uma ação que estava perdida. Os funcionários não tinham direito a quinquênios e tudo que estava lá. Fizeram um acordo e a Comurg ainda pagou R$ 20 milhões de honorários. O Ministério Público vai entrar junto numa ação de rescisão desses acordos coletivos fraudulentos que foram feitos ao longo do tempo. Acabou essa farra”, disse Mabel.
Nota do ex-prefeito Rogério Cruz
A gestão do ex-prefeito Rogério Cruz sempre manteve uma relação transparente com os órgãos de controle e reafirma seu compromisso com a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos.
Sobre as indenizações pagas pela Comurg, destacamos que a empresa possui estatuto e administração próprios, sendo responsável pela condução de suas questões trabalhistas.
Qualquer esclarecimento necessário poderá ser prestado aos órgãos competentes, respeitando os trâmites legais e a transparência que sempre pautaram a administração.
Assessoria de Comunicação da gestão Rogério Cruz

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