Rival acusa Delegado Waldir de "usar Detran" e pede cassação de candidatura e inelegibilidade
Candidato a deputado federal é alvo de ação que pede inelegibilidade após gravação apontar suposto favorecimento político dentro do Detran-GO; Justiça ainda vai analisar o caso

A candidatura do ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Delegado Waldir (União Brasil), virou alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede a cassação de seu registro de candidatura e a declaração de inelegibilidade. A ação aponta suposto abuso de poder político e uso da estrutura do órgão para beneficiar cerca de 7 mil instrutores autônomos que, segundo a representação, seriam tratados pelo próprio candidato como sua base de apoio eleitoral.
O processo foi protocolado pela candidata a deputada estadual Arianne Candido Medeiros Ungarelli. A principal prova apresentada é uma gravação divulgada no último dia 9 de agosto, atribuída ao ex-presidente do Detran, na qual ele teria cobrado prioridade na análise de processos de credenciamento de instrutores autônomos e determinado a liberação dos pedidos.
Segundo a representação, no diálogo Waldir pergunta à servidora se ela estaria trabalhando para o deputado estadual Charles Bento ou para ele próprio. Em seguida, afirma que os credenciamentos deveriam ser tratados como prioridade e menciona um grupo de aproximadamente 7 mil pessoas que estaria ao seu lado politicamente.
Ainda conforme a ação, o então presidente do Detran teria determinado a liberação dos processos e informado que enviaria protocolos específicos para análise. Os autores sustentam que a conversa demonstra uma possível interferência direta em procedimentos administrativos envolvendo pessoas apontadas como integrantes de sua base política.
Para os responsáveis pela AIJE, as dificuldades enfrentadas pelos instrutores teriam sido tratadas não apenas como uma questão administrativa, mas também sob uma perspectiva eleitoral. A ação afirma que Waldir teria orientado diretores e gerentes do Detran a facilitar os credenciamentos desse grupo.
A tese central apresentada à Justiça é que o então presidente do Detran teria utilizado a estrutura e a autoridade do cargo para favorecer um segmento identificado como seu eleitorado, situação que, se comprovada, pode caracterizar abuso de poder político durante o período em que comandou a autarquia.
Apesar das acusações, a própria representação ressalta que a gravação e as reportagens não constituem prova definitiva. Segundo o documento, o material serve como ponto de partida para a investigação e para a produção de provas independentes, incluindo a análise de documentos, protocolos, registros administrativos e a oitiva de servidores.
Entre os pedidos feitos à Justiça Eleitoral está uma decisão liminar para preservar o arquivo original da gravação, seus metadados e toda a documentação relacionada aos processos de credenciamento de instrutores no Detran, incluindo registros dos sistemas internos e movimentações processuais.
Ao final da ação, caso a Justiça conclua que houve abuso de poder político, a autora pede a cassação do registro de candidatura — ou do diploma, caso haja eleição —, além da declaração de inelegibilidade de Delegado Waldir. Também foi solicitado o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral e a outros órgãos para eventual apuração de responsabilidades nas esferas penal, administrativa e disciplinar.
A representação sustenta que a investigação deverá examinar toda a movimentação dos pedidos de credenciamento realizados durante a gestão de Waldir, identificando possíveis beneficiados e verificando se houve tratamento diferenciado. Segundo a ação, se confirmadas, as irregularidades podem ter comprometido a igualdade entre os candidatos e a legitimidade das eleições de 2026.
Delegado Waldir presidiu o Detran-GO entre março de 2023 e abril de 2026. Após deixar o comando da autarquia, assumiu o cargo de assessor especial da Secretaria de Estado da Administração (Sead), do qual foi exonerado em julho para disputar uma vaga de deputado federal pelo União Brasil.
A apresentação da AIJE, no entanto, não representa condenação nem comprova as acusações. Caberá agora à Justiça Eleitoral decidir se a ação será processada, quais provas serão produzidas e, ao final, se houve ou não abuso de poder político por parte do candidato.

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