‘Régua da moralidade tem que valer para a família Bolsonaro’, diz âncora da Band
Em comentário no 'Entre Nós', Adriana Araújo critica contradição de Flávio após vazamento de mensagens com banqueiro.

A repercussão das mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, continua gerando forte desgaste político. Em comentário contundente, a jornalista Adriana Araújo, âncora do programa Entre Nós, da BandNews FM, e do Jornal da Band, questionou a postura do parlamentar e cobrou que as investigações alcancem todos os envolvidos, incluindo a família Bolsonaro. Assista vídeo no final da reportagem
O centro da polêmica gira em torno da cronologia dos fatos. De acordo com a jornalista, o Banco Central já havia agido contra a instituição financeira e vetado a sua venda ao BRB. Em setembro de 2025, o mercado financeiro já estava ciente de que Daniel Vorcaro operava em situação crítica, descrita pela âncora como estar com a "corda no pescoço". Apesar desse cenário de conhecimento público na Faria Lima e nos bastidores de Brasília, Flávio Bolsonaro mantinha conversas frequentes com o empresário no mesmo período.
"A Faria Lima, o mundo financeiro inteiro sabia que Vorcaro estava com a corda no pescoço. O Banco Master era um rombo gigantesco", afirmou Adriana Araújo, destacando que o empresário circulava entre autoridades oferecendo jatinhos, jantares e festas para comprar influência.
Cobrança por coerência política
A jornalista estabeleceu um paralelo com um episódio de dezembro de 2024, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Vorcaro no Palácio do Planalto. Na ocasião, aliados do atual governo criticaram a agenda por considerá-la politicamente prejudicial. Flávio Bolsonaro também utilizou o encontro para levantar suspeitas contra a gestão petista.
Para a âncora, o avanço das apurações inverteu o cenário, e o senador agora se contradiz ao alegar que não sabia das irregularidades enquanto trocava mensagens afetuosas — tratando o banqueiro por termos como "irmãozão" — até as vésperas da prisão de Vorcaro.
Adriana Araújo defendeu que os critérios morais cobrados pela oposição devem ser aplicados ao próprio clã Bolsonaro. "Se há qualquer suspeita, ela tem que ser investigada. O que o Brasil espera é que tudo seja apurado até o fim, sem blindagem, sem acordão, sem proteção política", concluiu a jornalista, endossando uma frase que, segundo ela, pertencia originalmente ao próprio senador quando este apontava o dedo para os adversários.

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