O PSD entrou de vez no jogo presidencial de 2026. Em declarações nesta quinta-feira (29), o governador do Paraná, Ratinho Jr., afirmou que a legenda reúne condições para lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto — inclusive com uma chapa “puro-sangue”, composta apenas por filiados do partido. A avaliação ganha tração após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e a presença de outros nomes competitivos no campo presidencial, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
A leitura de Ratinho Jr. é a de que o movimento não se trata de ensaio retórico nem de balão de ensaio. “É para valer”, disse, ao defender que o PSD amadureceu politicamente e dispõe de quadros com lastro eleitoral e experiência administrativa. A fala ocorreu durante o Prêmio Outliers do InfoMoney, em São Paulo, e ecoou a estratégia de um partido que tenta ocupar o vácuo deixado pelo desgaste da polarização dos últimos anos.
Segundo o governador, a definição do candidato deverá ser construída de forma colegiada, com base no cenário político e eleitoral. O calendário é curto: a expectativa é que a decisão amadureça até meados de abril.
“Possivelmente lá pelo dia 15 de abril já terá uma decisão”, afirmou. O critério, diz ele, será identificar quem reúne mais condições de liderar um projeto nacional capaz de unificar o partido.
A chegada de Caiado reforçou o argumento interno de que o PSD pode prescindir de alianças para encabeçar a disputa. Ratinho Jr. cita o histórico dos possíveis presidenciáveis como prova de viabilidade.
“São pessoas que já foram testadas na urna e na gestão, não tem aventureiro nesse processo”, disse, ao incluir Caiado, Eduardo Leite e a si próprio no rol de nomes consolidados.
O pano de fundo da estratégia é a aposta no cansaço do eleitorado com a disputa binária que marcou a política recente. Para Ratinho Jr., mais de 60% da população demonstra insatisfação com a “briga política” que, segundo ele, não tem produzido resultados. O PSD tenta se vender como alternativa “segura, centrada e moderada”, com agenda focada em equilíbrio fiscal, segurança jurídica e geração de empregos.
As declarações do governador paranaense ocorreram no mesmo dia em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em Brasília — um contraste que sublinha a movimentação silenciosa do PSD para se diferenciar tanto do lulismo quanto do bolsonarismo.
Resta saber se a unidade interna resistirá à disputa de egos e à aritmética eleitoral. Ao acenar com uma chapa pura, o PSD sinaliza confiança; ao adiar a decisão para abril, reconhece que a política, como sempre, cobra prudência.