Questionado sobre estratégia se condenado no STF, Bolsonaro responde: "Acabou para mim"
Ex-presidente expressou a esperança de que a condenação não se concretize e aproveitou a oportunidade para comentar sobre outros eventos que, segundo ele, estão ocorrendo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou nesta quarta-feira (14) que uma eventual condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) representaria o fim de sua trajetória política, citando sua idade como fator determinante. A afirmação foi feita durante entrevista ao portal UOL, ao ser questionado sobre sua estratégia caso enfrente uma decisão desfavorável na Justiça.
"Se eu for condenado, acabou. Pela minha idade acabou", disse Bolsonaro, indicando que uma sentença condenatória seria um ponto final em suas aspirações e atividades no cenário político brasileiro.
A declaração reflete a gravidade percebida pelo próprio ex-presidente em relação aos processos judiciais que enfrenta, especialmente aqueles que tramitam na mais alta corte do país.
Bolsonaro expressou a esperança de que a condenação não se concretize e aproveitou a oportunidade para comentar sobre outros eventos que, segundo ele, estão ocorrendo. Ele mencionou uma coluna do jornalista Josias de Souza no UOL, que teria abordado uma fala do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, nos Estados Unidos. De acordo com Bolsonaro, Barroso teria afirmado ter procurado o governo Joe Biden por três vezes para evitar um golpe no Brasil.
"Nem eu estava sabendo", comentou o ex-presidente, demonstrando surpresa ou desconhecimento sobre o suposto contato de Barroso com a administração americana.
As acusações contra Bolsonaro, que são objeto de investigação e potencial julgamento, são de natureza grave e abrangem uma série de crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os delitos imputados ao ex-presidente estão:
- Organização Criminosa Armada: Participação em um grupo estruturado para cometer crimes, com uso de armamento.
- Tentativa de Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito: Ação visando impedir ou dificultar o livre exercício dos poderes constitucionais.
- Golpe de Estado: Tentativa de depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído.
- Dano Qualificado pela Violência e Grave Ameaça: Destruição, inutilização ou deterioração de coisa alheia, empregando violência ou grave ameaça à pessoa.
- Deterioração de Patrimônio Tombado: Danificação de bens que possuem valor histórico, cultural ou artístico e são protegidos por tombamento.
A PGR aponta que Bolsonaro não agiu sozinho. O grupo investigado e mencionado pela Procuradoria inclui figuras proeminentes que atuaram em seu governo ou tiveram relação próxima com a gestão. Além do ex-presidente, fazem parte deste conjunto nomes como:
- Walter Braga Netto: Ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022.
- Augusto Heleno: Ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
- Paulo Sérgio Nogueira: Ex-ministro da Defesa.
- Anderson Torres: Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.
- Alexandre Ramagem: Ex-chefe da Agência Brasileira de Informações (Abin) e atualmente deputado federal.
- Almir Garnier: Ex-comandante da Marinha.
- Mauro Cid: Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que firmou acordo de delação premiada com a Justiça e tem fornecido informações sobre os fatos investigados.
As investigações e os processos no STF relacionados a essas acusações têm sido acompanhados de perto pela opinião pública e pelo meio político, dado o potencial impacto sobre o futuro de Jair Bolsonaro e de outros envolvidos. A declaração do ex-presidente sublinha a percepção de que uma condenação no âmbito dessas apurações representaria um obstáculo intransponível para sua continuidade na vida pública, especialmente considerando sua idade atual.

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