PT oferece vice ao PSB, mas Aava reage com contraproposta para Senado em Goiás
Adriana Accorsi tentou atrair PSB para chapa petista ao governo, mas Aava Santiago recusou vaga de vice e condicionou apoio ao fortalecimento da candidatura de Isaura Lemos ao Senado

A tentativa do PT de consolidar uma frente unificada da esquerda em Goiás para as eleições de 2026 ganhou um ingrediente decisivo nesta segunda-feira (25), em Goiânia. Após reunião ampliada com partidos progressistas, a deputada federal Adriana Accorsi abriu uma negociação direta com a vereadora Aava Santiago e apresentou uma proposta política ao PSB: indicar o candidato a vice-governador na futura chapa petista ao Palácio das Esmeraldas.
A oferta aconteceu logo após o encontro que oficializou a chamada “Frente Progressista”, composta por PT, PDT, PCdoB, Psol, Rede e PV. O PSB, apesar de integrar o campo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, optou inicialmente por não participar da reunião ampliada e priorizou uma conversa reservada entre as duas dirigentes estaduais.
Nos bastidores, a proposta do PT foi interpretada como um gesto para atrair o PSB definitivamente para o projeto petista em Goiás. O partido, porém, ainda não possui sequer um nome oficial definido para disputar o governo estadual.
Aava Santiago, no entanto, recusou a possibilidade de o PSB ocupar a vaga de vice. Pré-candidata declarada à Câmara Federal, ela voltou a afirmar que não pretende disputar outro cargo nas eleições do próximo ano. Apesar da negativa, a dirigente socialista apresentou uma contraproposta política considerada estratégica dentro das articulações da esquerda.
Segundo interlocutores, Aava sinalizou que o PSB pode caminhar ao lado do PT na disputa pelo governo estadual, desde que os petistas apoiem o projeto do partido para o Senado Federal com o nome da ex-deputada estadual Isaura Lemos.
A movimentação elevou o peso político de Isaura dentro das negociações. O PSB quer transformar a candidatura ao Senado em prioridade da legenda e avalia que uma aliança formal com o PT pode fortalecer o projeto eleitoral.
Na nota divulgada após a reunião, Aava reforçou o discurso de composição e destacou a importância da construção conjunta entre os partidos do campo progressista.
“A abertura desse diálogo representa um passo importante na construção do campo democrático em Goiás e no Brasil”, afirmou.
A dirigente também ressaltou que o PSB pretende participar da composição majoritária “dentro de um processo de diálogo entre os partidos”.
O cenário, entretanto, está longe de consenso dentro do PSB. Parte das lideranças da sigla defende apoio ao pré-candidato à reeleição Daniel Vilela, aliado do governador Ronaldo Caiado, o que pode provocar divisão interna caso avance uma composição com o PT.
Mesmo assim, dirigentes petistas e socialistas viram o encontro entre Adriana e Aava como um marco político importante. “Era o que estava faltando, a Adriana chamar a Aava para conversar”, resumiu uma liderança envolvida nas articulações.
Enquanto tenta costurar alianças, o PT continua enfrentando indefinição sobre quem representará a legenda na disputa pelo governo goiano. Nos bastidores, cresce a expectativa para que o produtor rural de Rio Verde, Flávio Faedo, aceite o convite feito pelo partido. A decisão deve sair até o fim desta semana.
Nas redes sociais, Adriana Accorsi publicou foto ao lado de Aava Santiago e classificou a reunião como “um passo importante para organizar a força democrática que vai derrotar o atraso e recolocar Goiás no caminho do desenvolvimento”.
A aproximação entre PT e PSB abre oficialmente uma nova fase das negociações da esquerda em Goiás e indica que o jogo político para 2026 começou bem antes do esperado.

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