PT aciona Justiça para barrar decretos de calamidade financeira em Goiânia
Kátia Maria afirma que os decretos editados pelo prefeito violam dispositivos constitucionais e representam uma afronta aos princípios da legalidade, transparência e equilíbrio fiscal.

A vereadora Kátia Maria, presidente do Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores em Goiás, protocolou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) contra quatro decretos editados pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), no último dia 2.
As determinações do Executivo, publicados no Diário Oficial, trazem medidas como a declaração de calamidade financeira e a suspensão de contratações públicas.
Segundo a parlamentar, as ações do prefeito violam dispositivos constitucionais e representam uma afronta aos princípios da legalidade, transparência e equilíbrio fiscal.
"Esses decretos não apresentam comprovação técnica ou financeira que justifique a calamidade financeira alegada. É um abuso de poder que coloca em risco os direitos da população e a credibilidade da gestão pública", afirmou Kátia.
Críticas aos decretos
Entre os principais pontos contestados na ação estão:
Decreto nº 28/2025: Declara estado de calamidade financeira nas secretarias da Fazenda e Saúde, permitindo intervenções emergenciais e flexibilização na ordem cronológica de pagamentos.
Neste ponto, Kátia questiona a ausência de dados concretos que justifiquem a medida, como déficits reais ou parâmetros financeiros específicos.
Decreto nº 30/2025: Determina a reavaliação e renegociação de contratos em vigor, além da suspensão de adesões a atas de registro de preços.
Para a vereadora, a medida compromete a continuidade de serviços essenciais e gera insegurança jurídica para fornecedores e servidores.
Decreto nº 32/2025*: Regulamenta a desvinculação de receitas do município.
Kátia alerta para o impacto dessa medida na alocação de recursos para áreas prioritárias, como saúde e educação.
Decreto nº 33/2025: Veda a admissão de novos servidores, exceto em casos de nomeações de confiança ou justificativas do prefeito.
Para a parlamentar, a decisão é autoritária e compromete serviços básicos.
A vereadora também criticou a ausência de estudos técnicos e financeiros que fundamentem as decisões do prefeito.
"A calamidade financeira é um conceito inexistente na legislação brasileira e está sendo usado como pretexto para flexibilizar normas fiscais e administrativas, o que pode abrir precedentes perigosos para a gestão pública", destacou.
Além disso, Kátia apontou contradições nas alegações da atual gestão.
"Enquanto o prefeito declara calamidade, ele afirma à imprensa que pretende fechar o ano com R$ 1 bilhão em caixa. Isso não faz sentido e reforça a falta de transparência", afirmou.
Compromisso com a fiscalização
A Ação Direta de Inconstitucionalidade reforça o papel fiscalizador da vereadora, que tem sido uma das principais vozes de oposição à gestão de Sandro Mabel.
"Nosso compromisso é garantir que a administração pública respeite os princípios constitucionais e os direitos da população de Goiânia. Não podemos permitir medidas que prejudiquem os cidadãos sob o pretexto de uma crise que não foi comprovada", finalizou.
O processo está em tramitação no TJGO, que deve analisar o pedido de medida cautelar para suspender os efeitos dos decretos.

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