Produtores reagem e avisam que se Governo criar imposto goianos vão pagar a conta
Setor diz estar surpreso com proposta e que qualquer tributação será repassada ao consumidor final

O setor do agronegócio reagiu fortemente à proposta do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) em taxar o agronegócio como forma de repor o rombo de aproximadamente R$ 4 bilhões provocado pela redução de impostos dos combustíveis e da energia elétrica, aprovado pelo Congresso a pedido do Governo Jair Bolsonaro (PL).
O anúncio pegou os empresários do agro de surpresa que, desde então, vem se impondo à proposta de fundo para a infraestrutura em Goiás, a exemplo do que já fazem outros estados da região Centro-Oeste do país.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Joel Ragagnin, emitiu nota de repúdio afirmando que é “totalmente contrário a qualquer tipo de tributação sobre o setor agropecuário de Goiás” para recompor perdas na arrecadação de ICMS.
“Sobrecarregar ainda mais o setor responsável pela segurança alimentar é uma estratégia extremamente danosa e gerará efeitos contrários ao esperado”, afirma o documento.
A Aprosoja aponta ainda que o "aumento de tributos nesse setor produtivo atingirá diretamente a população goiana”.
A associação também pontuou que não esperava essa “atitude” do governador.
Outro representante do setor que reagiu mal foi a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG). Em nota, o presidente José Mário Schreiner declarou que o segmento luta para não operar no prejuízo.
“A Faeg se coloca contra a criação de qualquer tipo de taxação do setor e afirma que não fez, e nem fará parte da comissão de análise deste projeto. A realidade do campo requer cautela, uma vez que os custos de produção têm se elevado cada vez mais e os produtores dos diversos segmentos da agricultura e pecuária têm lutado para não operar no prejuízo. Com isso, uma taxação a mais poderia inviabilizar o setor agropecuário, gerando índices de desemprego e freando o desenvolvimento tão necessário para a sociedade, o estado e o país”, pontuou.
Até o aliado do governador, presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSD) afirmou ser contra a taxação do agronegócio.
O deputado afirma que na posição de produtor rural e defensor do nosso agronegócio é totalmente contra a proposta do Governo de criar mais uma taxação sobre a produção agropecuária goiana.
“Como presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, sempre estive ao lado do Governo, no reequilíbrio fiscal do Estado. Enfrentamos momentos difíceis, mas não me titubeei nos meus princípios. Por isso, acredito que existem outras formas de equilibrarmos as contas públicas para compensar a queda da arrecadação do ICMS, sem prejudicar as pessoas que empreendem e trabalham num setor vital para a nossa economia, como é o agronegócio”, escreveu.
Lissauer encerra a nota pontuando que está à disposição dos empresários do agro.
“Desde já me coloco à inteira disposição de todos os produtores rurais e representantes do setor produtivo, para abrir um diálogo sensato com o Governo no sentido de encontrarmos uma solução razoável para todas as partes”, concluiu.

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