Procurador da Alego estaria envolvido em esquema de vendas de sentenças com “juiz tornozelado” e advogados
Segundo as investigações, o advogado Cristiano Oliveira Siqueira teria recebido dinheiro por meio de processos fraudulentos e feito “entremeio” para repassar de volta a um filho do juiz

O advogado Cristiano Oliveira Siqueira, procurador da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), é alvo do Ministério Público (MP) e do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) por suposta participação no esquema de vendas de sentenças em que o juiz Adenito Francisco Mariano Júnior e os filhos advogados, Antônio Fernando Gornattes Mariano e Pedro Gustavo Gornattes Mariano, são investigados.
As investigações, que estão em andamento pela Divisão de Inteligência Institucional do Tribunal de Justiça, que apontam o esquema entre o juiz e os filhos, receberam relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que mostram que as contas bancárias de Pedro Gustavo recebiam as movimentações ilegais com benefícios indevidos em decorrências às decisões favoráveis concedidas pelo pai.
Segundo as apurações da Divisão de Inteligência do TJ, Cristiano teria recebido dinheiro por meio de processos fraudulentos e enviou parte do montante recebido, mais de R$ 650 mil, para um empresa, também investigada, a Editora de Jornalismo Brasil, que tem endereço na Avenida Goiás, em Goiânia.
Ainda segundo as investigações, após receber o dinheiro, a editora fez duas transferências para o filho do juiz no total de R$ 227 mil.
Para “rodar” o esquema, o grupo criava processos fraudulentos, ações judiciais em que o autor teria um financiamento, mas entrava na Justiça para conseguir baixar o valor das parcelas. O que chamou atenção do Tribunal é que os advogados sempre protocolavam a ação na comarca onde Adenito estava atuando. Começou em 2018, em itajá, depois em 2022, em Horizona, para onde foi transferido, e mais recentemente em Silvânia, onde “explodiu” o crime.
O fluxo financeiro, segundo as apurações apontam para um esquema de corrupção “bem arquitetado”, no qual essas decisões do juiz Adenito eram recompensadas com dinheiro.
Nas contas de Pedro Gustavo, a movimentação atípica que chamou atenção do Coaf girava em quase R$ 2 milhões.
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Segundo os investigadores, a fortes elementos que indicam crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro pelo juiz Adenito com a participação de dois assessores por meio de venda de decisões judiciais.
Os investigadores chegaram a pedir a prisão do juiz, mas a desembargadora Nelma Perillo entendeu que não havia motivos, mas determinou que Adenito, o filho Pedro, o contador Leandro da Silva, também investigado, usem tornozeleiras eletrônicas.
A desembargadora afastou o juiz do cargo, mas ele vai continuar recebendo salário, que no último mês foi de R$ 55 mil.

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