Presidente reúne vereadores e comunica "corte" de R$ 10 mil na verba dos gabinetes
Além do corte nas verbas de gabinete, a Câmara estuda um pacote de austeridade que inclui a revisão de contratos e uma reorganização da estrutura do Legislativo, em andamento desde a última semana

A presidente da Câmara de Anápolis, Andreia Rezende (Avante), anunciou o corte de R$ 10 mil na verba destinada às contratações de servidores de cada gabinete da Casa. A decisão foi comunicada em uma reunião realizada na tarde de terça-feira (24) com os 22 vereadores.
Atualmente, cada vereador tem a prerrogativa de contratar entre dez e 20 servidores, com um teto de gastos de até R$ 67 mil. Com a nova medida, esse limite será reduzido para R$ 57 mil, forçando os parlamentares a tomarem medidas como demissões ou renegociação salarial.
A justificativa para o corte é a queda no duodécimo, repasse financeiro feito pelo Poder Executivo ao Legislativo. Alguns parlamentares defendem que a solução seria um pedido de revisão do duodécimo, a exemplo do que já foi feito na gestão de Domingos Paula. A medida já está causando desconforto no parlamento anapolino.
Segundo uma fonte interna da Câmara, a prefeitura repassará um valor menor do que o previsto no orçamento, devido à delicada situação fiscal do município.
De acordo com certidão enviada pelo Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCMGO), o valor destinado à Câmara em 2025 será de R$ 58,7 milhões.
“A gente tinha uma expectativa de um aumento mais significativo neste duodécimo, considerando o valor aprovado na LOA [Lei Orçamentária Anual] de 2024, que era de R$ 65 milhões. No entanto, como demonstrado pela certidão do TCMGO, o valor ficou cerca de R$ 7 milhões abaixo do previsto, enquanto as despesas mensais da Câmara cresceram mais de 23% em relação ao ano passado”, explicou Andreia.
Além do corte nas verbas de gabinete, a Câmara estuda um pacote de austeridade que inclui a revisão de contratos e uma reorganização da estrutura do Legislativo, em andamento desde a última semana.
Diante dessa diferença entre receita e custos, a presidente anunciou uma revisão imediata dos contratos da Casa para eliminar excessos. Os cortes incluem despesas com combustível para veículos oficiais, buffet, estrutura para eventos e o fim do pagamento de diárias e viagens.
Com essas despesas deixando de ser cobertas integralmente pela estrutura da Casa e passando a ser responsabilidade individual de cada vereador, a Câmara estuda instituir uma verba de gabinete limitada para esses gastos. Caso o vereador ultrapasse, deverá arcar com a diferença do próprio bolso.
A expectativa é que a reorganização seja concluída até a próxima sexta-feira (28), sob o risco de a Câmara não conseguir honrar seus compromissos com servidores e contratos. A prioridade, segundo a fonte, é garantir o pagamento da folha salarial.
“Estamos estudando esses cortes para que causem o menor impacto possível, mas a prioridade é equilibrar as contas. Não podemos ter nenhum gasto fora do padrão e precisamos reduzir ao máximo para que a Câmara chegue ao final do ano com todas as despesas pagas”, destacou Andreia.

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