A presidente do PSOL em Goiás, Cíntia Dias, articula nos bastidores para se consolidar como o principal nome da esquerda na corrida ao Palácio das Esmeraldas. Pré-candidata ao governo estadual, ela aposta em um diálogo amplo com partidos que historicamente resistem a composições com o PT no estado, como estratégia para unificar o campo progressista em torno de sua candidatura.
Segundo a dirigente, há abertura de conversas com lideranças do PCB, PSTU e UP. Uma reunião ocorreu no último sábado (28), com o objetivo de viabilizar apoio formal ao seu nome na disputa. De acordo com Cíntia, a receptividade é maior do que a registrada por candidatos petistas nas últimas eleições estaduais.
“Paralelamente à busca para ser a candidata do presidente Lula em Goiás, estou em diálogo com esses outros partidos que integram a frente progressista. Essa ala mais radical da esquerda tem restrição em caminhar com o PT”, afirmou.
Disputa interna na esquerda
Cíntia Dias já disputou o governo em 2022 pelo PSOL e, naquele pleito, enfrentou o ex-reitor da PUC Goiás Wolmir Amado (PT), que também concorreu ao Palácio das Esmeraldas. Agora, ela avalia que o cenário abre uma nova oportunidade.
O PT ainda não definiu seu candidato ao governo. Internamente, há receio de que o lançamento de um nome competitivo possa comprometer a estratégia proporcional da legenda. A sigla avalia que pode conquistar, pela primeira vez em Goiás, três cadeiras na Câmara dos Deputados e teme perder Edward Madureira como puxador de votos na chapa federal.
Outro fator observado é o histórico do partido nas eleições estaduais. Desde 1982, o PT nunca repetiu um nome na disputa pelo governo goiano. Nos últimos dez pleitos, lançou oito candidatos diferentes e, em 2006 e 2010, optou por apoiar candidaturas do PSB e do MDB, quando Dilma Rousseff era a candidata do partido à Presidência da República.
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Apoio de Lula e estratégia eleitoral
Cíntia, que apoiou Lula em 2022, acredita que pode disputar o governo com o respaldo do presidente e sem comprometer as chapas proporcionais do PT. Para ela, sua pré-candidatura reúne condições políticas para somar ao palanque federal e ampliar a presença da esquerda no estado.
“Nossa pré-candidatura é forjada na luta do trabalhador, como a do presidente Lula, e já é conhecida no Estado. Temos plena condição de somar ao palanque federal, sem desfalcar as chapas proporcionais, que são prioridade do PT”, declarou.
Ao buscar apoio de partidos que não dialogam com o PT em Goiás, Cíntia Dias tenta ocupar um espaço estratégico no campo progressista e se apresentar como alternativa viável para unificar a esquerda na disputa pelo governo estadual.