Prefeitura quer gastar mais de R$ 1 milhão com festas e MP questiona "situação precária"
O Ministério Público sublinha que os gastos contrastam com a situação precária dos serviços essenciais na cidade. Há relatos da falta de transporte escolar e ausência de medicamentos

O Ministério Público de Goiás (MPGO), através da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Cidade Ocidental, iniciou um processo administrativo contra o município devido a supostos gastos excessivos em festividades, consideradas incompatíveis com a realidade econômica local. A portaria, assinada pela promotora de Justiça Camila Silva de Souza Otsuka, destaca preocupações financeiras do município em meio às despesas planejadas.
Segundo o MPGO, a cidade planeja gastar mais de R$ 1,1 milhão para contratar artistas e estruturar eventos como a Festa de Santo Antônio e o aniversário da cidade.
As despesas previstas para a Festa de Santo Antônio chegam a cerca de R$ 779,1 mil, enquanto os custos para as comemorações de aniversário da cidade somam R$ 348 mil. A prefeitura, por sua vez, afirmou que os custos dos shows serão cobertos por emendas parlamentares e que se pronunciará oficialmente apenas após o recebimento formal do processo.
Artistas Contratados
Na 47ª Festa de Santo Antônio, que ocorrerá de 1º a 15 de junho de 2025 e será gratuita ao público, artistas como
- Anjos de Resgate (R$ 100 mil),
- Davidson Silva (R$ 85 mil),
- Rony & Ricardo (R$ 35 mil),
- Jocélio DDD (R$ 36,4 mil),
- Fulô de Mandacaru (R$ 180 mil) e
- Alceu Valença (R$ 280 mil) foram contratados.
A banda Oxente Cerrado também está escalada, mas seu contrato não foi localizado no Portal da Transparência.
Para as festividades em agosto, o cantor Hungria Hip Hop foi contratado por R$ 250 mil, e a cantora Ju Marques, por R$ 98 mil.
Problemas Sociais e Financeiros
O Ministério Público sublinha que esses gastos contrastam com a situação precária dos serviços essenciais na cidade. Há relatos da falta de transporte escolar, resultando na instauração de uma notícia de fato, além da ausência de insumos e medicamentos à população, situação que suscitou diversas ações judiciais para obrigar o município a prover tais necessidades.
Indicadores Socioeconômicos
A cidade apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,717, abaixo das médias nacional (0,789) e estadual (0,737). Em termos de infraestrutura básica, 37,05% da população (33.997 habitantes) não têm acesso à água tratada, e 60,96% (55.939 habitantes) carecem de saneamento básico, números que superam as médias estaduais e nacionais. Além disso, aproximadamente 17,05% dos moradores (15.644 pessoas) estão desprovidos de serviços de coleta de lixo.
Investigações Policiais e Corrupção
O histórico recente do município inclui duas operações policiais de grande vulto: a “Operação Ypervoli”, desdobrada em setembro de 2024 pela Controladoria-Geral da União e Polícia Federal, voltada a investigar fraudes em licitações, desvios de fundos públicos e lavagem de dinheiro nas áreas de saúde e educação; e a “Operação Pacto Sistêmico”, realizada em março de 2025 pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção, que explora desdobramentos criminais da operação anterior.
Estas descobertas e investigações indicam um cenário complexo e desafiador em Cidade Ocidental, com questões que vão desde práticas de má gestão e corrupção até preocupações sociais urgentes, enquanto os recursos públicos são empregados em festividades controversas.

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