Prefeitura goiana entra na mira após denúncia de "manobra" em concurso
Denúncia aponta possível jogo de cartas marcadas em Castelândia; TCM recua do mérito, mas manda investigar atos da prefeitura e contratos sob suspeita

Denúncia sobre suposta burla no Concurso Público nº 001/2022 da Prefeitura de Castelândia colocou o prefeito Ednaldo Andrade Miguel no centro de um novo foco de pressão. O caso, que levanta suspeitas de irregularidades graves na condução do certame, chegou ao Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) e acendeu alerta sobre possíveis manobras administrativas.
A denúncia, protocolada na Ouvidoria do tribunal sob o número 15930, aponta que atos ligados ao concurso podem ter sido conduzidos de forma irregular, especialmente na anulação de um ato convocatório — medida que, segundo o relato, pode ter sido usada para contornar regras e alterar o curso do certame.
Entre os pontos mais delicados estão possíveis falhas na transparência, com questionamentos diretos sobre a divulgação do Edital de Convocação nº 14/2025 e do Decreto nº 145/2025. A suspeita é de que a publicidade dos atos não tenha seguido os padrões legais, levantando dúvidas sobre quem foi beneficiado — e como.
Mas não para por aí. A denúncia também mira em cheio a estrutura da prefeitura ao levantar a hipótese de uso simultâneo de contratos de assessoria jurídica por inexigibilidade — mecanismo que, na prática, dispensa licitação, mas exige justificativa rigorosa. O temor é de que o município tenha recorrido a esse tipo de contratação mesmo com possível necessidade de servidores concursados, o que pode indicar desvio de finalidade.
Diante da gravidade das acusações, o TCM até analisou o caso, mas decidiu não enfrentar o mérito da denúncia neste momento. O motivo: critérios técnicos internos que barraram o avanço da investigação direta pela Corte.
Ainda assim, o recado foi claro. O tribunal determinou que o responsável pelo controle interno da prefeitura, Juliano do Prado Lopes, faça uma apuração completa dos fatos — ou seja, a própria gestão de Ednaldo Andrade terá que explicar o que aconteceu dentro de casa.
O prazo é de 90 dias. E o alerta veio em tom de ameaça: se a investigação não for comprovada ou for considerada insuficiente, o TCM pode aplicar sanções diretamente ao responsável.
Na prática, embora o processo tenha sido arquivado sem julgamento do mérito, o caso está longe de ser encerrado. A decisão mantém a pressão sobre a administração municipal e deixa no ar uma pergunta incômoda: houve ou não manipulação no concurso público?
Nos bastidores, o episódio já é visto como mais um teste de desgaste para a gestão de Ednaldo Andrade Miguel, que agora terá que dar respostas — sob risco de ver o caso ganhar proporções ainda maiores.
O Portal G5 News entrou em contato com a Prefeitura de Castelândia, nas não houve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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