Prefeito, vice e vereadores são cassados por esquema de compra de votos em Joviânia
De acordo com os autos, as apurações revelaram movimentações financeiras atípicas por parte de Max Barbosa durante agosto, setembro e outubro do ano eleitoral.

A Justiça Eleitoral determinou a perda de mandato do prefeito de Joviânia, Max Barbosa (Podemos), do vice-prefeito Roudison Sabino Muniz e dos vereadores Flávio Martins de Sousa (presidente da Câmara) e João Paulo Ferreira Rezende (vice-presidente). A decisão foi assinada na sexta-feira (8) pela juíza Danila Cláudia Le Sueur Ramaldes, titular da 45ª Zona Eleitoral de Pontalina, e aponta que os quatro se envolveram em compra de votos durante as eleições de 2024.
Com a cassação também dos dois primeiros nomes da linha sucessória na Câmara, a magistrada determinou que o Legislativo municipal realize imediatamente nova eleição para definir a Mesa Diretora. Caso a sentença seja mantida em instâncias superiores, o município deverá ter novas eleições para prefeito.
Investigações
De acordo com os autos, as apurações revelaram movimentações financeiras atípicas por parte de Max Barbosa durante agosto, setembro e outubro do ano eleitoral, incluindo quatro saques de alto valor em 7 de outubro, um dia após a votação. O filho do prefeito, Max Pereira Barbosa Filho, também foi citado por realizar transferências de valores “redondos” nesse período, destoando de seu histórico bancário.
Entre as transações apontadas, está o envio de R$ 1,2 mil para três eleitores — Adelzidio Pereira, Luciano Henrique e Luiz Paulo Caetano Vieira — em setembro. Outros beneficiários identificados no processo incluem Reinaldo Santos da Silva, Sebastião Vieira da Silva, Ricardo Henrique da Silva, Reginaldo Pereira da Silva, José Barbosa de Godoi, Gustavo Daniel Correa dos Santos, João Antônio Venâncio, Paula Santos Holanda, Rudson Ribeiro Viana Farias e Adeilda Ribeiro dos Santos.
Rede de intermediários
O inquérito indicou a existência de um grupo de aliados que atuava na distribuição de dinheiro vivo e de transferências via pix para eleitores. Entre os nomes citados estão Max Filho, Willian Pereira Barbosa, Luciano Henrique Rezende, Daniel Marinho, Arthur H. Almeida Souza, João Batista Dias, Raissa Naves Silva Laranjeira, João Paulo Ferreira Rezende, Paulinho Sousa Rezende, Fernanda da Medalha Ferreira, Lucas Nicomedes Camillo, Flávio Martins de Sousa e Huguinei Ilário.
Depoimentos
Testemunhas confirmaram a prática de compra de votos. Adelzidio Pereira Borges relatou que recebeu, em 29 de setembro de 2024, oferta de R$ 2 mil do filho do prefeito para apoiar Max Barbosa, valor pago integralmente após recusar o parcelamento proposto.
Outro eleitor, Gustavo Daniel Correia dos Santos, afirmou ter sido chamado por João Paulo para ir à sua loja, onde recebeu R$ 100 via pix e a promessa de mais R$ 300 caso o vereador e o prefeito fossem eleitos — valor que foi pago em 12 de outubro.
Já Ricardo Henrique da Silva disse que, em 5 de outubro, foi abordado com a proposta de trocar o adesivo de um candidato adversário pelo de Max Barbosa em troca de R$ 3 mil. Ele recebeu R$ 1 mil no mesmo dia, mas, como o restante não foi pago, decidiu denunciar o caso.

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