Prefeito goiano denuncia pastor por pedido de propina; senador quer quebra de sigilo bancário
Kelton Pinheiro afirma que pastor Arilton Moura pediu propina de R$ 15 mil e a compra de bíblias para ajudar "na construção da igreja" para liberar verbas do Ministério da Educação.

O prefeito de Bonfinópolis (36 km da Capital), Kelton Pinheiro (Cidadania), denunciou que o pastor Arilton Moura teria pedido propina de R$ 15 mil e a compra de bíblias para ajudar 'na construção da igreja'. O prefeito revelou que se reuniu no Ministério da Educação e outros 15 gestores no dia 11 de março do ano passado.
Durante o encontro, o ministro da Educação Milton Ribeiro ainda fez um discurso contra a corrupção. Logo após, deixou o local acompanhado de Arilton Moura e de Gilmar Santos.
Kelton Pinheiro então se reuniu com o presidente do Fundo Nacional de Educação (FNDE), Marcelo Lopes da Ponte, e conseguiu recursos para construir uma creche no município.
Momento depois, conforme Kelton, os pastores retornaram e foram para um almoço onde ocorreu o pedido de propina.
O prefeito de Ceres, Edmario de Castro Barbosa (Cidadania), confirma que também teve uma agenda no MEC, com a presença do pastor Arilton. Em seguida, o próprio ministro da Educação se ofereceu para ir até à cidade do prefeito.
"Gostei do jeito dele, sou da igreja dele. Então ele quis vir à minha cidade", conta o prefeito.
Os dois pastores, segundo Edmario, viajaram até Ceres para preparar a visita do ministro.
"Tive uma conversa com eles uma semana antes. Eles tiveram aqui uma semana antes da visita do ministro, para pesquisar como estava o serviço que consegui no FNDE. Eles se apresentavam como assessores do ministro, então recebi eles na prefeitura", narra o prefeito ao jornal O Globo.
Porém, na segunda-feira (21), o jornal "Folha de S. Paulo" divulgou áudio de uma reunião na qual Milton Ribeiro afirma que houve um "pedido especial" de Bolsonaro para atender aos pleitos do pastor Gilmar Santos. Ele e outro líder evangélico, pastor Arilton Moura, que não têm ligação com a administração pública, são apontados como articuladores de uma espécie de gabinete paralelo do ministro, ao intermediar reuniões entre prefeituras e a pasta para liberação de recursos, conforme revelou o jornal "O Estado de S. Paulo".
Em nota, o ministro da Educação negou que o presidente Jair Bolsonaro tenha pedido atendimento preferencial a prefeituras apadrinhadas por pastores. Ribeiro afirmou ainda que todas as solicitações feitas à pasta são encaminhadas para avaliação da área técnica.
Créditos: Daniel Gullino, Geralda Doca e Patrik Camporez

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