Prefeito goiano confirma pedido de propina de pastores para liberar recursos do MEC
Kelton Pinheiro, prefeito de Bonfinópolis, afirma que Arilton Moura pediu R$ 15 mil para conseguir autorização de repasse no montante de R$ 7 milhões, mesmo sem atuar diretamente no ministério.

O prefeito Kelton Pinheiro, de Bonfinópolis (37 km da Capital), prestou depoimento a senadores, nesta terça-feira (05), sobre a denúncia de suposto tráfico de influência e pedidos de propina do pastor Arilton Moura para a liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
O prefeito goiano confirmou que o líder religioso pediu um adiantamento.
"Quando chegou na minha mesa, o pastor Arilton me abordou de forma muito abrupta e direta, dizendo: 'olha, prefeito, vi aqui que seu ofício está pedindo escola de 12 salas. Essa escola deve custar R$ 7 milhões, o recurso. Mas, é o seguinte, preciso de R$ 15 mil na minha mão hoje. Você faz uma transferência para a minha conta, porque esse negócio de para depois não cola comigo, não. Isso porque vocês, políticos, são um bando de malandros '", afirmou o prefeito
Que acrescentou em seguida. "Ansia de vômito".
Ao todo cinco prefeitos foram ouvidos, sendo que três deles, incluindo Kelton Pinheiro, confirmaram os pedidos de propina: Gilberto Braga, de Luís Domingues (MA) e José Manoel de Souza, de Boa Esperança Do Sul (SP).
"Três dos cinco prefeitos disseram que foram achacados pelo pastor Arílton, que solicitava propina em troca de empenho de recursos, R$ 15 mil na conta dele, um quilo de ouro por ocasião do empenho, R$ 40 mil na conta da igreja para liberar uma escola profissionalizante [...] Todos esses prefeitos que não toparam dar a propina, os municípios desses prefeitos nenhum recebeu nenhum centavo do FNDE", afirmou o presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, Marcelo Castro (MDB-PI).
"Dois outros prefeitos receberam recursos vultosos, um deles recebeu quatro obras novas quando tinham três obras paralisadas no seu município, sendo que o dever do FNDE seria concluir as obras inadequadas, mas colocou recursos para quatro obras novas. Outro prefeito que disse que não recebeu pedidos de propina teve cinco obras novas no seu município, onde havia duas obras paralisadas", completou.
O prefeito Gilberto Braga, que confirmou aos senadores o pedido de propina em ouro, descreveu que participou de um evento no Ministério da Educação, no dia 7 de abril, no qual os pastores estavam na mesa principal, ao lado do então ministro Milton Ribeiro. Na sequência, todos os prefeitos participantes, cerca de 20 a 30, foram convidados para um almoço pelo pastor Arílton Moura.
Braga disse que o então ministro não participou, mas os pastores Moura e Gilmar Santos estavam lá.
(Com a Folha de São Paulo)

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