Prefeito eleito denuncia que facção quer "eleger" presidente da Câmara; governador pede investigação
O Comando Vermelho é reconhecido como a organização criminosa com maior atuação noMato Grosso, o que confere uma dimensão ainda mais preocupante às denúncias feitas por Abilio Brunini

O prefeito eleito Abilio Brunini (PL) afirmou ter recebido denúncias anônimas de que um líder da facção criminosa Comando Vermelho (CV) teria aportado R$ 200 mil a um vereador de Cuiabá. O objetivo seria influenciar a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, marcada para janeiro de 2025. Apesar das graves acusações, Brunini ainda não apresentou provas concretas para sustentar suas alegações.
O Comando Vermelho é reconhecido como a organização criminosa com maior atuação no Estado, o que confere uma dimensão ainda mais preocupante às denúncias feitas por Brunini. Em resposta, o governador Mauro Mendes (União) determinou que o secretário estadual de Segurança Pública, César Augusto de Camargo Roveri, convide o prefeito eleito para prestar esclarecimentos sobre as declarações divulgadas na mídia e investigue a investida do CV na Câmara Municipal.
Durante uma coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (8), o governador Mauro Mendes expressou sua preocupação com a situação.
"É muito grave o que ele falou. A ousadia dos criminosos no Brasil não está assustando mais ninguém. As facções criminosas estão avançando fortemente como crime organizado enquanto o Estado brasileiro bate cabeça", afirmou Mendes. Ele destacou a necessidade de uma resposta à altura dos desafios impostos pelo crime organizado.
Mendes também comentou sobre a recente reunião convocada pelo presidente Lula (PT) com governadores, na qual foi apresentada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Apesar de não ter participado do encontro devido a compromissos internacionais, Mendes criticou a proposta, afirmando que ela não aborda de forma eficaz o combate ao crime organizado.
"É como se nós tivéssemos um paciente em câncer, e hoje é um câncer que é o crime organizado no Brasil, e nós estamos a falar em dar mais uma neosaldina, uma dipirona, um remédio para a dor", comentou o governador.
As declarações de Abilio Brunini e as reações subsequentes destacam a crescente preocupação com o poder das facções criminosas no Brasil e a necessidade urgente de estratégias mais eficazes para enfrentá-las.

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