Prefeito de Cabeceiras diz que vai abrir investigação contra médico acusado de fraudar cartão de vacina
Segundo a Polícia Federal, um médico oftalmologista que trabalhou na cidade teria assinado comprovante de vacinação de um dos investigados no esquema de fraudes.

O prefeito de Cabeceiras, no Entorno do Distrito Federal, Éverton Francisco de Matos (PDT), afirmou nesta quarta-feira (3) que os alvos de investigação da Polícia Federal (PF) que apura fraude nos cartões de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), da filha Laura, de 12 anos, e de ex-auxiliares, não receberam imunizantes no município e pediu investigação sobre o caso. Um médico oftalmologista que trabalhava na cidade em novembro de 2021, assinou e carimbou um comprovante de vacinação usado em uma das tentativas de fraudar o certificado no sistema do SUS.
Em entrevista ao GLOBO, Éverton Francisco e outros profissionais de saúde disseram que nenhum membro da família presidencial ou os assessores citados pela PF foram vacinados no município.
“Não tem registro nenhum aqui. Já consultamos nossos relatórios. O município está isento disso, agora vamos apurar a responsabilidade do médico. Vamos abrir um processo administrativo”, afirmou o prefeito, conhecido como Tuta.
Operação Verine
A Operação Verine cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, em Brasília, além de ter efetuado seis prisões, como do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Segundo a PF, o sargento Luiz Marcos dos Reis, que era subordinado a Cid, procurou o sobrinho Farley Vinícius Alencar Alcântara, que era médico em Cabeceiras, para operar a fraude.
Farley foi responsável por fornecer um documento assinado e carimbado por ele atestando que a esposa de Cid, Gabriela Santiago Ribeiro Cid, se imunizou contra a Covid-19. Segundo os registros do município, Farley atuou na cidade entre os anos de 2018 e 2021, sempre como plantonista e nos fins de semana. Ele tinha acesso aos cartões de vacinação.
Com os documentos, houve a tentativa de registrar as informações no Sistema Único de Saúde, por meio de computadores ligados à Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, para que elas pudessem ser consideradas oficiais. Assim, o ex-presidente, seus parentes e familiares conseguiriam, por exemplo, realizar viagens internacionais a países que exigiam a imunização contra Covid na entrada.
Como o lote de vacinas informado havia sido enviado para Goiás, o sistema rejeitou os dados fornecidos pelo grupo. Foi necessário então que se conseguisse outro número de lotes com vacinas do Rio para que o registro fosse confirmado. Logo após conseguir o registro e imprimir os certificados, os dados foram apagados do sistema.

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